Ilha das Flores é um curta-metragem brasileiro dirigido por Jorge Furtado e lançado em 1989, cuja premissa se baseia na exposição e crítica acerca das relações econômicas e do papel do ser humano inserto no sistema capitalista de produção e consumo. O local de ambientação da trama é o lixão de mesmo nome da produção em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no qual são introduzidos personagens e situações que explicitam uma sequência de acontecimentos relacionados à economia local e aos cidadãos componentes desta. Para isso, o diretor se utiliza de conceitos biológicos, históricos e sociais organizados de maneira dinâmica e cômica a fim de engajar o espectador a compreender todas as amarrações existentes entre os elementos constituintes da crítica, refletindo uma ponderação fortunata do recurso. Uma característica a ser pontuada sobre o filme é a maneira como a qual a mensa...
O diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho realiza em seu longa-metragem Retratos Fantasmas uma ode ao fazer cinematográfico e à sua carreira, utilizando localidades de Recife como seu objeto de estudo. A trajetória do autor frente às telas aparece retratada de forma intrínseca com o tema proposto, fato que auxilia a promoção de uma trama singular ao incorporar sobressalências no filme verídicas à sua vida. Com isso, a produção cinematográfica de forma crua e simples se apresenta de maneira desnuda como parte fundamental da característica do longa e da intenção do diretor, que mescla arte e cotidiano em uma dança comovente plausível de devoção do espectador à trama. Tal ideia abarca sensibilidades diferentes narradas oralmente por Kleber Mendonça Filho que se posicionam como um sólido acerto no quesito da conexão criada entre a realidade do autor exposta e o público. Semelhante aos relatos, outra apreciação entusiasmada são as localidades apresentadas e as histórias presenteadas ao púb...
A beleza do fracasso Elisa M. Schlichting Em “Pequena Miss Sunshine” (2006), de Jonathan Dayton e Valerie Faris, o que começa como uma comédia de estrada se revela uma das mais ternas sátiras da obsessão americana pelo sucesso. A família Hoover, desajustada e à beira do colapso, embarca em uma viagem caótica para levar a pequena Olive a um concurso de beleza infantil. No caminho, o carro amarelo se torna um microcosmo de afetos imperfeitos, frustrações e esperanças. O filme acerta ao equilibrar o riso e a melancolia. Cada personagem — o pai obcecado por vitórias, o tio deprimido, o avô marginal, o irmão em silêncio — representa uma forma de fracasso diante das expectativas sociais. Mas é nesse fracasso que o filme encontra humanidade: todos, de algum modo, estão tentando continuar, mesmo sem saber exatamente por quê. Visualmente, a fotografia ensolarada contrasta com a solidão dos personagens, e o amarelo do furgão se torna símbolo de um otimismo que insiste em sobreviver. A dire...