La Haine (1995), de Mathieu Kassovitz
A queda antes do impacto: forma e violência em La Haine por Gisele Hillmann “Até aqui, tudo bem. Até aqui, tudo bem. Até aqui, tudo bem.” A repetição, aparentemente banal, carrega uma das ideias centrais de La Haine (1995), de Mathieu Kassovitz: o perigo não está apenas no impacto, mas na queda que o antecede. É durante esse percurso que a violência se acumula, as relações se deterioram e a possibilidade de interromper o movimento se torna cada vez mais incerta. Ao acompanhar três jovens da periferia parisiense em um contexto de tensão entre moradores e polícia, o filme constrói um retrato de uma sociedade em que a crise não constitui um acontecimento isolado, mas uma condição cotidiana. A escolha do preto e branco é um dos primeiros elementos que orientam essa experiência. Em um cinema já plenamente capaz de trabalhar com imagens coloridas, a opção não pode ser compreendida como uma simples limitação técnica. A fotografia de Pierre Aïm reduz os contrastes cromáticos e enfa...