A Entrevista (1966), de Helena Solberg
---- Quando nos falta unha, roemos os dedos por Jo P. Klinkerfus Uma das minhas maiores aflições ao longo de minha formação como cientista social e depois como antropóloga é a forma como a há o tempo, o recente, o contemporâneo e o clássico são arbitrariamente construídos pelo poder. Quem são os nossos clássicos? Quanto tempo precisa se passar para ser passado? Quais assuntos consideramos contemporâneos? Essa minha birra ganhou forma dentro de mim no dia que descobri que Sojourner Truth proferiu o discurso de “Não sou eu uma mulher?” em 1851, mais de uma década antes de Karl Marx publicar sua obra prima O Capital, em 1867. Ainda assim, os estudos críticos do capitalismo são vistos como clássicos e o tópico da interseccionalidade é apresentado como uma questão contemporânea dentro das Ciências Sociais. Aqueles homens ali dizem que as mulheres precisam de ajuda para subir em carruagens, e devem ser carregadas para atravessar valas, e que merecem o melhor lugar onde quer que estejam...