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Pequena Miss Sunshine (2006), dir. Jonathan Dayton e Valerie Faris

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  A beleza do fracasso Elisa M. Schlichting Em “Pequena Miss Sunshine” (2006), de Jonathan Dayton e Valerie Faris, o que começa como uma comédia de estrada se revela uma das mais ternas sátiras da obsessão americana pelo sucesso. A família Hoover, desajustada e à beira do colapso, embarca em uma viagem caótica para levar a pequena Olive a um concurso de beleza infantil. No caminho, o carro amarelo se torna um microcosmo de afetos imperfeitos, frustrações e esperanças. O filme acerta ao equilibrar o riso e a melancolia. Cada personagem — o pai obcecado por vitórias, o tio deprimido, o avô marginal, o irmão em silêncio — representa uma forma de fracasso diante das expectativas sociais. Mas é nesse fracasso que o filme encontra humanidade: todos, de algum modo, estão tentando continuar, mesmo sem saber exatamente por quê. Visualmente, a fotografia ensolarada contrasta com a solidão dos personagens, e o amarelo do furgão se torna símbolo de um otimismo que insiste em sobreviver. A dire...

Orgulho e Preconceito (2005), dir. Joe Wright

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---- A delicadeza e a exuberância de Orgulho e Preconceito (2005) Sendo uma adaptação de uma das mais famosas histórias da literatura inglesa e mundial, o filme Orgulho e Preconceito, dirigido pelo também inglês Joe Wright em 2005, é um alvo de grandes expectativas por parte do público que passa pela experiência de assisti-lo. Considerando elementos como as atuações, o senso estético transmitido por meio da fotografia e da trilha sonora, e os diversos diálogos românticos adaptados diretamente do livro, é possível afirmar que o produto final atende às expectativas e se consolida como um clássico do tão popular gênero de filmes de romance. O filme conta a história da família Bennet, focando na dinâmica entre seus membros e também entre eles e o restante da sociedade inglesa. Ao explicitar questões como, para além das mencionadas no título do longa, dinâmicas de classe, reputação social e o significado do casamento, a obra dialoga com diferentes momentos históricos, apesar de ter como...

Dias Perfeitos (2023), dir. Wim Wenders

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==== Crítica: Dias Perfeitos (2023), dir. Wim Wenders por Amanda M. Dias Perfeitos é um daqueles filmes que parecem simples na superfície, mas deixam marcas profundas. Dirigido com delicadeza por Wim Wenders, o longa acompanha Hirayama (vivido de forma sublime por Koji Yakusho), um homem que trabalha limpando banheiros públicos em Tóquio — e que, apesar da rotina repetitiva, carrega uma vida interior rica, silenciosa e cheia de pequenos rituais. A narrativa é lenta, contemplativa, quase minimalista, mas isso é justamente o que faz o filme ser tão especial. Em tempos de excessos visuais e ruídos constantes, Dias Perfeitos é como um respiro calmo e necessário. O filme nos convida a observar o cotidiano com mais atenção, a valorizar os detalhes: a luz da manhã, uma árvore balançando ao vento, o som de uma música antiga em uma fita cassete. A fotografia é belíssima e carrega uma poesia visual discreta — cada enquadramento parece cuidadosamente pensado para transmitir silêncio, tempo e i...