Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore (2011), escrito e dirigido por William Joyce e Brandon Oldenburg
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Lua Monteiro
Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore me passou uma sensação de encantamento e, ao mesmo tempo, um pouco de tristeza. O que mais chamou minha atenção foi a forma como os livros ganham vida e acabam se tornando companheiros do personagem.
Uma cena que me chamou bastante atenção foi quando Morris é levado pelo redemoinho junto com a casa. Na hora, me lembrou muito O Mágico de Oz, principalmente pela situação da casa sendo levada pelo furacão. Também achei curioso o livro que tinha um ovo, porque ele me lembrou outro filme que tem um ovo falante, apesar de não lembrar exatamente qual.
Gostei muito de como o filme consegue contar praticamente toda a história sem precisar de diálogos. As cores e a música também mudam de acordo com o que está acontecendo, deixando algumas partes mais alegres e outras mais melancólicas. Os livros parecem representar não só histórias, mas também as diferentes fases da vida e as memórias que ficam.
Para mim, a principal ideia do filme é que as histórias podem acompanhar as pessoas durante a vida e continuar existindo mesmo depois que elas vão embora. É um curta simples, mas que consegue transmitir bastante coisa sem precisar falar muito.
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Luy Macedo
Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore conta uma história sobre livros, evidentemente. Tendo a acreditar que esse curta-metragem de animação está falando sobre o magnífico poder que os livros têm de curar a alma, dar cor a uma vida cinzenta e conectar as pessoas através de histórias que são cuidadas e repassadas de geração em geração; e, assim, nunca vão deixar de existir! Que coisa mais linda… Não obstante das zombarias, é certo que o filme funciona na sua proposta lúdica e, apesar dessa certa superficialidade generalista e este ser um curta que se propõe a falar (indiretamente) sobre a imaginação, mas é pouco imaginativo no desenvolvimento da sua trama, faz um trabalho interessante e conduz o espectador de maneira muito efetiva. Sempre me encantam as estórias que abordam o modo como essas diversas histórias sobrevivem ao tempo; e também sobrevivem umas às outras. Encontramos isso no filme de William Joyce e Brandon Oldenburg, o que eu considero fantástico,
O filme — vencedor do Oscar de Melhor Animação em 2012, inclusive (o que não me surpreende em nada, visto que o projeto é a cara da academia estadunidense, em todos os sentidos do termo) — é muito feliz em ensaiar, na sua própria forma e estrutura, essa paixão sobre a arte; e é deste súplico sentimento que a vida da mesma resiste ao duro percurso do tempo — “alguém” que pode, em segundos, (literalmente) virar a sua vida de “ponta-cabeça”. Certamente, as referências da literatura e da cinematografia canônica saltaram aos olhos dos espectadores atentos, mas o não-reconhecimento de tais elementos não afetam em nada a fruição desta história, o que eu considero um grande mérito dos realizadores e algo que eu gostaria de ver com mais recorrência na atualidade. Talvez o ponto mais interessante do filme esteja justamente nessa espécie de responsabilidade que ele atribui aos livros — e, por extensão, a quem escreve, lê, preserva e transmite as histórias. Para aqueles que buscam uma narrativa altruísta e com uma “bela mensagem”, o filme de Joyce e Oldenburg é um prato cheio. Creio que este seja um dos melhores exemplos sobre este “formato”, se é que posso chamar assim. Esse tipo de produção moralista — e muitas vezes liberal —, tende a se perder nas suas propostas ou ideologias. Mas, vejo que Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore consegue manter um bom equilíbrio acerca desses pilares básicos.
Morris, o protagonista, passa a participar de uma cadeia de circulação, cuidado e transmissão, como se receber uma história implicasse também a alguma responsabilidade diante do que vem depois. Há, nesta obra, uma concepção bastante generosa da arte; arte como aquilo que foi aprendido e deve ser preservado, transformado e compartilhado; sendo, então, algo que produz consequências que ultrapassam o indivíduo e alcançam o espaço comum. É uma imagem quase circular da cultura. Acima de tudo, Sr. Morris Lessmore é um filme sobre reencontrar alguma espécie de luminosidade depois da devastação. Não porque a escuridão desapareça, mas porque, no interior dela, ainda pode existir algo capaz de reorganizar a experiência.
De todo modo, é importante refletirmos nossas experiências para além de sua funcionalidade primária. Da mesma maneira que o filme alcança o seu maior mérito a partir dessa universalização (ou generalização) da sua mensagem altruísta e utópica — mas não necessariamente no mal sentido do termo, pois a “utopia”, em certos momentos, é fundamental para que possamos refletir sobre a concreticidade do agora) —, também está o seu maior deslize. A animação romantiza a literatura ao máximo, quase como algo sagrado e imaculado, o que não consigo ver como interessante. Mesmo que a obra não tenha qualquer obrigação de fazê-lo — e, com toda certeza, tal reflexão crítica não caberia no filme —, concordamos que a não-problematização acerca da variedades de livros existentes, que podem inclusive conter ideologias de propagação de ódio e pensamentos autoritários, é um tanto arriscada e amarga ao analisarmos o que obras como essa representam na atualidade e, principalmente, quem as produzem. Afinal, quem segura a lâmpada que “ilumina” os outros ao seu redor decide, também, o que será iluminado e o que continuará no escuro. Nem toda luz esclarece, por mais duro que isso possa soar. Conhecimento não é sinônimo de verdade, assim como informação não é sinônimo de compreensão.
A dificuldade começa quando uma metáfora bonita passa a ser tratada como uma verdade geral — e estou fazendo uma reflexão acerca do impacto invisível que produções como esta causam na sociedade. O curta apresenta uma imagem delicada e eficiente porque reconhece uma experiência real. Mas nem sempre essa experiência particular — há quem diga, inclusive, que é impossível que haja uma experiência particular, ora que este é um conceito cerne do coletivo e é só partir dele que a mesma existe — se transforma em uma espécie de propriedade universal da literatura, como se o simples contato com um livro fosse capaz de produzir necessariamente algum tipo de crescimento. Não é pessimismo dizer que um livro pode abrir uma janela, mas também pode fechar uma porta; pode ampliar o mundo, mas também pode ensiná-lo de maneira estreita, violenta ou autoritária. Temos noção que a literatura não é uma substância moralmente pura, ora que esta é uma forma de pensamento, memória, imaginação e também de disputa. Não precisamos acreditar que os livros nos salvam do mundo para reconhecer que eles podem nos dar instrumentos para enfrentá-lo. E esses instrumentos não são necessariamente conforto, esperança ou felicidade. Podem ser dúvida, memória, imaginação, repertório, linguagem para nomear uma experiência, capacidade de perceber uma contradição. Ler pode, inclusive, nos fazer perder algumas ilusões — e nem sempre isso é uma experiência agradável.
É importante fazer uma reflexão sobre esse contexto e perceber que literatura não é valiosa porque produz luz em qualquer circunstância, ora que arte também existe para confrontar. Às vezes ela é valiosa porque nos permite olhar para a escuridão de outra maneira. Qualquer contundência da minha análise não invalida a delicadeza intrínseca à obra; pelo contrário, sublinha a sua eficácia. É preciso fazer certa ponderação crítica acerca da romantização da literatura, mas também é preciso ter a honestidade de admitir que exigir de uma fábula poética de quinze minutos — estruturada em torno do luto e de uma reconstrução afetiva muito particular —, esta discussão sobre a ambiguidade política da literatura universal seria, talvez, uma cobrança anacrônica à proposta específica dos realizadores. Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore não pretende ser um tratado sobre essas filosofias, mas uma elegia visual sobre a resistência da memória. Nesse sentido, o filme é profundamente bem centrado e plenamente funcional, cumprindo a sua bela e lúdica missão com uma precisão cirúrgica, oferecendo ao espectador exatamente a luminosidade e o conforto que promete. Até porque, Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore conta uma história sobre livros, evidentemente. Ele é funcional, cativante, possui uma grande mensagem válida e que deve sim ser propaganda, mas não é livre de críticas, possibilidades e reflexões.
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Édina Barbosa
Dirigido por William Joyce e Brandon Oldenburg, o curta-metragem de animação "Os Fantásticos Livros Voadores de Mr. Morris Lessmore" constrói sua narrativa a partir da relação entre um homem, os livros e as histórias que atravessam o tempo. A obra apresenta, por meio da animação, uma reflexão sobre a leitura, a imaginação, a passagem da vida e aquilo que permanece depois de nós.
Logo no início, a animação apresenta uma atmosfera totalmente melancólica, marcada por uma paisagem e com a ausência de cores. O protagonista aparece inserido em um cenário de destruição, provocado pela passagem de um furacão. A própria composição visual contribui para transmitir essa sensação de vazio e desorientação. A ausência de cores não funciona apenas como uma escolha estética, mas ajuda a construir o estado inicial do personagem e do próprio mundo em que ele está inserido. É como se, naquele momento, a vida tivesse perdido seu sentido.
Ao decorrer da narrativa, essa atmosfera se transforma quando Morris é levado para outro universo. A partir desse momento, as cores e as tonalidades tornam-se mais marcantes, e aquilo que antes parecia destruído começa a adquirir movimento e vida. A mudança visual acompanha a transformação narrativa: quanto mais Morris se aproxima dos livros, mais aquele universo se torna colorido e encantado. A cor, portanto, passa a acompanhar não apenas a mudança do espaço, mas também a descoberta de uma nova forma de perceber o mundo.
É nesse novo espaço que surge a primeira imagem com cor e mais significativas do curta: uma mulher sendo carregada por livros voadores. A cena não apenas apresenta ao espectador a magia daquele universo, mas também funciona como uma antecipação da narrativa. Antes mesmo de Morris compreender o que está acontecendo, o filme apresenta visualmente uma possibilidade do seu próprio futuro. Ele também carrega um livro, porém, diferente daqueles que aparecem voando, seu livro ainda não possui vida. A imagem da mulher conduzida pelos livros antecipa a relação que Morris desenvolverá.
A aproximação do personagem com os livros, que expressam sensações através das páginas, acontece gradualmente. Morris passa a cuidar dos livros, consertar aqueles que estão antigos e, principalmente, começa a escrever o seu. Esse processo é importante porque o personagem deixa de ser apenas alguém que recebe histórias e passa também a construir uma história. O livro que inicialmente aparece sem vida vai sendo preenchido pelas experiências de Morris, enquanto o ambiente ao seu redor também ganha novas cores ao momento que Morris entrega os livros às pessoas que chegam. Assim, a animação estabelece uma relação entre a transformação do personagem e a transformação visual daquele espaço.
A passagem do tempo também é construída de maneira delicada. Morris envelhece, mas sua relação com os livros permanece. A narrativa não explica diretamente que os anos passaram; a própria transformação do personagem e do ambiente comunica essa passagem. O livro que escreve, acompanha esse percurso e acaba funcionando como uma espécie de registro de sua existência. Mais do que acompanhar o tempo, o livro passa a guardar aquilo que Morris viveu e escreveu.
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Sofia Rachadel Campos
No curta metragem "Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore", acompanhamos uma narrativa sobre o impacto da leitura e da escrita nas emoções e na vida do personagem principal, um escritor inicialmente enfrentando problemas com a criatividade e o desenvolvimento de seu livro.
A direção do curta escolheu abordar essa relação entre o protagonista e o ato de ler e escrever através da personificação dos livros, dando vida e a capacidade de voar aos objetos, que envolvem e se comunicam com o escritor - é deste elemento central que a trama desenvolve e emociona.
Na animação, a música forma elemento importante para o desenrolar da história, visto que não há utilização de fala ou conversa entre os personagens. A trilha sonora de certa forma narra os acontecimentos da tela e busca emocionar e envolver o telespectador, utilizando instrumentos clássicos, como o piano que aparece frequentemente. A música nunca para - porém passa por momentos tranquilos da história com ritmo calmo e lentos, e se desenvolve rapidamente com os acontecimentos, como na cena da tempestade, em que acelera e utiliza elementos que causam tensão.
Uma das técnicas observadas com frequência no curta é a utilização do contrate entre elementos em preto e branco (quando o personagem se sente distanciado dos livros) e elementos coloridos (quando próximos deles) no mesmo frame, representando uma transformação de emoções negativas para positivas, solidão para "vida". É do elemento central, os livros voadores, que a animação traz alivio cómico, mistério e emoção.
Apesar da citação que aparece durante o curta "If life is enjoyed, does it have to make sense?" aludir que a vida não precisar de um "sentido" as emoções que a animação trouxe me fizeram pensar que a relação do personagem com o ato de ler é, de fato, sua fonte de propósito e significado para o mundo.
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“Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore”, vou te receitar um livro
Sofia Fernandes Campos
Uma casa levada por um furacão, livros e livros voando nos ventos fortes da tempestade, páginas que perdem a palavra, um mundo sem cor e sem história.
“Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore”, dirigido por William Joyce e Brandon Oldenburg, ganhador do Oscar de melhor curta-metragem de animação em 2012, é uma homenagem adorável ao mundo do cinema, pelo estilo do filme, que adota uma leveza ao retratar o amor pelos livros.
Com Buster Keaton caracterizado num protagonista expressivo que se encontra perdido depois de uma tempestade que leva embora todas as cores e as palavras, e vários elementos que fazem tributo aos clássicos de Hollywood, aqui “O Mágico de Oz” tem sua estrada de tijolos amarelos coberta por páginas em branco.
Dentro desse contexto, o curta é conduzido pela música, que funciona como as próprias falas, emoções e efeitos sonoros, outra referência aos filmes de outrora, ao cinema mudo. Composta por John Hunter, é o som que segue a perda e a busca pelas histórias coloridas dos livros-pássaros.
O cinema sempre teve fortes ligações com a literatura, seja pelas adaptações ou pela nova forma de contar uma história, nessa animação esses mundos colidem. Quando ler é dar a vida ao livro, as histórias ganham uma importância diferente, são elas que colorem o mundo, uma alusão à transição do preto e branco para technicolor, a cor como dispositivo narrativo.
Então, como moral da história, o filme insiste que é a leitura que reanima as páginas dos livros, a história é o que fica e as palavras são as cores. Ao todo, “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” é um filme fofo com uma mensagem clara, leia!
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Nayara Santos
No curta, os livros funcionam como esse elemento transformador. Eles não são apresentados apenas como objetos, mas como portas para diferentes histórias, experiências e possibilidades. Por meio deles, o personagem consegue enxergar a vida de outra maneira e também transformar a vida das pessoas ao seu redor. A obra, apresenta a leitura como algo capaz de modificar não apenas aquilo que sabemos, mas também a forma como sentimos, imaginamos e percebemos o mundo.
O curta me provoca uma sensação de conforto e nostalgia. Como as animações me remetem à infância, ele despertou uma sensação de familiaridade e bem-estar, como se os livros e as histórias apresentadas fossem capazes de resgatar uma parte mais leve da vida.
A fotografia é um dos elementos que mais contribuíram para essa sensação. A trilha sonora também se encaixa muito bem com as imagens e com a narrativa, tem uma atmosfera que acompanha as mudanças vividas pelo personagem. No início, quando a vida parece vazia e sem propósito, predominam tons mais escuros e uma paisagem sem vida. Conforme os livros e as histórias passam a fazer parte, o ambiente ganha cores, movimento e alegria. Essa mudança visual não pareceu apenas estética, mas representou também a transformação interior do personagem.
Essa relação entre as cores e os sentimentos me fez lembrar de "A Noiva Cadáver", um dos meus filmes favoritos. No filme, existe uma inversão: o mundo dos vivos é representado de maneira mais escura, rígida e sem graça, enquanto o mundo dos mortos é colorido, musical e cheio de vida. Nos dois casos, as cores ajudam a transmitir sentimentos e a questionar a ideia de onde realmente existe vida e felicidade.
Para mim, curta fala sobre a importância das histórias na construção das pessoas. Ele mostra que, mesmo diante de momentos de perda, solidão ou vazio, uma história pode ser capaz de devolver cor e significado à vida. É justamente essa simplicidade, acompanhada da fotografia e da trilha sonora, que torna a obra tão confortável e, ao mesmo tempo, emocionante.
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Luiz Roberto
No início, através do Sr. Morris, vemos uma catástrofe natural causada por um furacão (em referência ao furacão Katrina, que atingiu os EUA em 2005), mas faz isso através de um olhar um tanto lúdico, para não assustar o público infantojuvenil, porém que ainda carrega elementos suficientes para passar a sensação de desespero que um desastre causa na vida das pessoas por onde ele passa.
Após o caos, vem a calmaria; aqueles que ainda conseguem ficar de pé veem, atônitos, o que restou de onde moravam. Nesse momento, o mundo fica triste, desesperançoso, cinza – aqui, literalmente.
Nessa profunda apatia, o chamado ao mundo literário vem através de livros voadores, que aparecem levando uma jovem para o horizonte, e guiam o protagonista para uma casa-biblioteca cheia das mais diferentes obras.
Depois de sobreviver a tamanho desastre, encontrar um lugar bonito, seguro e com uma imensidão de mundos e aventuras ao seu alcance, permite ao Sr. Morris voltar aos poucos, se a divertir em meio às possibilidades que a vida e a leitura oferecem.
Por meio de uma alegoria com uma cirurgia, nos mostra que a leitura vai muito além de uma importância abstrata de “ter livros”, mas sim que se faz na prática de leitura. Apenas ter livros empoeirados, esquecidos numa prateleira, não faz da leitura algo vivo; mas, em seu exercício, podemos viver as mais diferentes emoções, todas em segurança. E, desta forma, mesmo após um desastre homérico, que a princípio nos deixa desamparados material, emocional e espiritualmente, o mundo seguro e por vezes fascinante que cada livro traz, pode ajudar voltar a enxergar a beleza que há no mundo.
Mesmo no final de sua vida, quando o próprio Sr. Morris está sendo levado pelos seus Fantásticos Livros Voadores, a beleza que a leitura pode promover permanece, desta vez com a chegada de uma garotinha, que terá todos aqueles mundos e emoções a seu dispor para conhecê-los e aproveitá-los.
Uma bela alegoria para a emoção, conforto e esperança que a leitura pode nos proporcionar.
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Gisele Hillmann
O que o título tem de longo o curta tem em leveza e naturalidade.
O grande tumulto disruptivo - literal e figurativame - na abertura da história nem se compara a beleza de ter um livro pousando ao seu lado, ou te despertando depois de uma noite mal dormida, mais ainda ao despertar uma velha história incrível que tinha medo de voar.
A cada cena somos agraciados com a ternura, e o cuidado, a mensagem é clara, mesmo que sem nenhuma palavra, as palavras, a arte, o conhecimento é belo, terno, e até disruptivo, e nos encaminha para olhar com cuidado e sensibilidade para nossa própria história, vida.
Tanto a animação quanto a trilha sonora te convidam a participar, a entrar na brincadeira e voar livremente, a explorar o que à ao entorno e no íntimo, como só uma boa história pode fazer.
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A magia está nos livros
Lucas Pinheiro de Paula
O curta “Os Fanáticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” me fez sentir um sentimento que lembra a época da escola, onde minhas professoras tiravam um dia para passar um filme para minha turma, vi que me trouxe de volta a minha infância. Já a obra, pude capturar desde do visual, sonoro, várias interpretações.
O começo do filme me fez comparar com a obra do “Mágico de Oz” onde a personagem da “Dorothy” e pega por um tornado e vai parar em um lugar fantasioso, e achei tão repentino o começo e a tempestade e depois tudo fica em cinza e de repente um novo ciclo se forma. A mágica dos livros e abordado, trazendo para nossa realidade, principalmente colocar em pauta a importância da leitura e como a educação e a aprendizagem pode chegar nas pessoas, pois na vida real e um privilégio.
A estética e a emoção do personagem e bastante marcante em, trouxe emoção e a ideia se o personagem conseguiria mudar a realidade que esteva em preto em branco. E concluído, achei ótima a narrativa e tudo que compõe o curta, como descrevi nesse texto, o filme mostra um ciclo, isso não e apenas minha resposta pessoal mas está emoldurado em algumas cenas. Essa obra maravilhosa merece ser reconhecida e mostrada a todos que admiram projetos educativos, e assim tocaria uma boa porcentagem de pessoas que vivem em um “mundo cinza “.
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Daigo M. Allebrandt
O curta The Fantastic Flying Books (2011) provoca uma espécie de melancolia sobre os ciclos da vida. Apesar da animação “amigável e confortável”, o curta tem certa pretensão existencial.
Sem sombra de dúvidas, o primeiro que salta aos olhos é as escolhas artísticas que o diretor tem em antropomorfizar os livros, operando como entidades singulares de personalidades distintas. Junto à constituição dos personagens, outro elemento fundamental, são o papel narrativo da cores, onde o nível de saturação serve de termômetro de “entusiasmo à vida” que o personagem detém.
Outro elemento competente é a presença sonora, que preenche espaço na ausência da voz humana, preenchendo a todo momento todo e qualquer elemento. Como também, a música altera seu andamento e peso instrumental para sinalizar a passagem de décadas, picos de adrenalina, luto ou calmaria, conduzindo o ritmo.
Ao longo da jornada do personagem, a representação do encanto da vida através dos livros mostra-se suficiente as pretensões da obra, dando ao final, uma síntese metafórica - mostrando que a efemeridade da vida pode ser superada através da resistente memória que um livro pode carregar. Por fim, questionando a transitoriedade da vida e a permanência intelectual.
Sob uma lente analítica, a obra flerta com o sentimentalismo no seu terço final, o que pode soar ingênuo ou mais do mesmo para quem busca uma resolução mais complexa ou subversiva sobre a morte. Contudo, em termos de design cinematográfico, a execução atende ao tema: a economia de elementos é rigorosa, a comunicação simbólica é imediata e as regras internas desse universo lúdico são criadas e respeitadas do primeiro ao último quadro, fazendo um “excelente feijão com arroz”.
Maria Eliza Pereira Freire
O curta-metragem ganhador do Oscar na categoria de melhor animação em 2012, Os Fantásticos Livros de Sr. Morris Lessmore, dirigido por Willian Joyce e Brandon Oldenburg, narra a trajetória de um jovem escritor, que, após passar por uma tempestade, se depara com uma biblioteca onde abriga diversos livros mágicos que interagem com o personagem.
A obra inicia com o Sr. Morris Lessmore em um Hotel, a sensação de calmaria e relaxamento fica evidente no personagem e no público que está assistindo. Segundos depois uma estranha tempestade surge, revirando toda a cidade, fazendo com que tudo virasse uma bagunça e até mesmo perdendo a cor. Lessmore então, se vê sem saber para onde ir, até que ele encontra um livro animado, que interage com ele como se fosse um ser vivo. Assim, ele é guiado para uma biblioteca onde se depara com não apenas um, mas vários livros mágicos. Tornando-se então parte daquele lugar, trazendo de volta consigo as cores que um vez foram perdidas.
Alguns elementos deixam a obra ainda mais cativante, como por exemplo a trilha sonora que acompanha a narração do filme até o final, o que deixa a energia do filme sempre leve e divertida. Ela se antecipa, guiando o espectador para os próximos acontecimentos cena após cena. Algo a se destacar também é a repetição do elemento chave do enredo inteiro: os livros. O curta mostra a importância dos livros e como eles podem “devolver a cores” para uma pessoa. Esse fato fica ainda mais evidente quando o Sr Morris distribui livros para pessoas descoloridas, tornando uma espécie de remédio para as voltas das cores.
Trás a importância também da escrita e até mesmo do registro da sua própria história. No final, o curta traz uma mensagem que pode ser entendida por qualquer pessoa independente da faixa etária, o poder transformador da leitura na vida de qualquer pessoa.
Izzy Laramee
O curta-metragem, Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore, foi criado em 2011 e tem mais importância no ano de 2026. O filme tem a ver com questões sobre o que traz valor à vida e a revitalização que pode acompanhar literatura e textos que dão forma ao nosso pensamento. Por exemplo, o personagem principal escrevou no diário dele: "My further investigations have turned many of my long held opinions into mush. The many and varied points of view I have encountered do not confuse, but enrich. I laugh. I cry. I seldom understand things but..." Como eu sou uma leitora, esta reflexão me lembrou dos livros com tramas e conteúdo que contribuíram para a minha compreensão das experiências vividas pelas outras pessoas. A ideia de enriquecimento que o Sr. Morris Lessmore comentou sobre apareceu também com as outras pessoas com quem ele foi partilhando os livros. O que acompanhava o ato de compartilhar livros foi essa mudança dentro do desenho com as pessoas tornando-se coloridas. Então, esta visualização combina com os temas dos livros como uma fonte de motivação e valor para mostrar a ideia central de que os livros têm a forte capacidade de nos reformar como seres humanos.
Para refletir sobre o significado deste curta-metragem no contexto atual, eu pensei imediatamente sobre a maneira como nós estamos analisando textos agora e que tipo de literatura é mais evidente. As redes sociais e a maneira como nós estamos consumindo conteúdo escrito no Instagram, Twitter, etc., deixam pessoas sem a experiência holística de ler que este filme nos mostrou. Embora as redes sociais possam exibir vários tipos de perspectivas sobre as quais o Sr. Morris Lessmore refletiu no diário dele, também as redes sociais nos fornecem fragmentos de informação que criam uma falsa imagem de "saber" com menos substância.
Também, no fim do filme, os retratos na parede representando os outros moradores da biblioteca tiveram vários tipos de pessoas para mostrar a ideia de literatura como universal independentemente de sua origem e identidade. Enfim, esta curta-metragem muda exprime a importância da literatura como um elemento necessário para vivenciar a vida plena pela trajetória do Sr. Morris Lessmore.
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Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore, dirigido por William Joyce, é um curta-metragem de animação lançado em 2011. O curta traz uma reflexão sobre a importância do papel da literatura no cotidiano vivido e suas múltiplas facetas na sociedade.
Na esfera coletiva, o filme em diversos momentos enaltece o papel social da leitura como forma de transformar o mundo. Sr. Morris não só encontra felicidade no hábito, mas ajuda outras pessoas também vítimas do ciclone a enriquecerem suas vidas. Portanto, a leitura não é uma atividade apenas individual, mas uma forma de transformação coletiva.
Considerando a temática do curta - a literatura, a escolha de associar o personagem principal a Buster Keaton e referenciar o cinema silencioso desempenha papel importante. A ausência do diálogo ao longo do filme parece aproximar o cinema da literatura, artes distintas. Além disso, o estilo de animação incorpora muitas das características do cinema silencioso como a expressividade dos personagens e as usa de maneira lúdica para enriquecer a narrativa.
No epílogo, a obra aborda o fim da vida de maneira otimista. Mesmo que a vida do Sr. Morris tenha chegado ao fim, a literatura é enfatizada como uma maneira de estabelecer e transmitir um legado. A experiência vivida pelo personagem continua a inspirar as gerações seguintes através de seu livro.
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Victor Hugo Viegas
O curta traz uma referência ao furacão Katrina, de 2005, e carrega várias referências históricas, principalmente às artes, cinema e literatura. O Mágico de Oz, Buster Keaton, e outras. O ponto central do curta é mostrar, por meio da metáfora de cores e sombras, a capacidade que os livros têm de transportar o leitor para diferentes universos, passando a valorizar mais a vida ao seu redor.
Gostei muito do detalhe da atenção aos livros, passando a ideia de que cuidar dos objetos é cuidar da memória, que se preserva naquilo que se consome, mas também naquilo que se produz e daquilo que se cuida.
As cores são destacadas e uma ênfase pra música, que cresce e se modifica em cada momento do filme, além de ficar grudada na cabeça por alguns dias depois. Os elementos sonoros e visuais trazem um ar leve, que dá mais destaque pro drama da mensagem, que se sustenta durante todo o tempo. A dedicação dada à literatura, ou ao conhecimento como um todo, ajuda qualquer um a enxergar melhor o mundo onde vive.
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Ana Clara Cordeiro
A simplicidade da animação Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore é uma de suas principais virtudes, o que se mostra adequado considerando seu curto tempo de duração. É uma obra capaz de cativar tanto o público infantil quanto o público mais velho, principalmente aqueles que, de alguma maneira, já estabeleceram uma conexão forte com a literatura ou foram impactados por alguma obra em específico.
No curta-metragem, acompanhamos o personagem principal vivenciando um momento de dificuldade após uma forte tempestade que devasta a cidade e abala toda a sua realidade. A partir desse acontecimento, ele segue sua trajetória até encontrar uma biblioteca, onde passa a se conectar com diferentes livros e encontra um espaço de conforto, deixando para trás o momento de angústia vivido anteriormente. A história por si só é simples, mas as escolhas visuais e simbólicas estabelecem uma obra mais tocante e imersiva. Tudo é retratado sem o uso de falas e, para isso, nota-se um trabalho de composição visual interessante. Nesse sentido, o uso das cores é um importante elemento narrativo que acompanha toda a obra. Os personagens sem saturação ao longo da história, por exemplo, representam as pessoas vivenciando sentimentos negativos. Assim como no momento mais crítico da narrativa, quando acontece a tempestade e todas as imagens se apresentam sem saturação. Este recurso representa as angústias, a desorientação. Por outro lado, as cores vibrantes no decorrer da narrativa representam os momentos alegres, o conforto e a conexão.
O momento em que uma mulher aparece voando, carregada pelos livros, é uma cena marcante no curta-metragem e simboliza a mensagem central da obra, a ideia da literatura como uma forma de liberdade e transformação. Ao longo do desenvolvimento da história, é possível perceber que os livros deixam de ser apenas objetos e passam a conduzir os personagens por diferentes experiências, representando a capacidade das histórias de transportar o leitor para outros lugares e realidades, além de ampliar seus pontos de vista. As cenas seguintes, na biblioteca, complementam essa ideia, reforçando as possibilidades proporcionadas pela literatura, permeadas pelas cores, pelo movimento e pela magia.
É possível acompanhar o protagonista até o fim de sua trajetória, participando ativamente das transformações na vida dos personagens por meio da literatura. Mesmo ao se aproximar do fim, ele demonstra um sentimento de realização diante de tudo o que construiu ao longo de sua vida. Diferentemente de outros momentos da narrativa, as imagens não transmitem melancolia ou dor, mas apresentam uma visão positiva sobre a passagem do tempo e sobre a vida vivenciada. Os livros, nesse contexto, são os companheiros do homem, permanecendo ao seu lado até o fim da vida. Ao mesmo tempo, quando ele se vai, a literatura permanece e novos personagens são impactados por ela, como representado pela menina que chega à biblioteca no final.
Dessa forma, mesmo sem falas e utilizando uma narrativa simples, o curta transmite sentimentos e reflexões sobre a literatura, a passagem do tempo e as transformações que as histórias podem causar. A simplicidade registrada na obra desde o início representa a possibilidade de uma mensagem acessível e cativante.
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Gustavo Mendes
É sempre interessante quando a arte se utiliza de si mesma para comentar sobre a própria arte, e ainda mais impressionante, que nesse curta-metragem sobre a literatura, não é dito nenhuma palavra, e se faz entender através da expressividade da imagem. Aqui representada principalmente por seu personagem principal, que utiliza a iconicidade de Buster Keaton, e seu humor físico para as situações lúdicas em que ele se encontra.
Outra referência que me chama a atenção é o furacão de O Mágico de Oz, mas que aqui ao invés de transportar Dorothy a um mundo fantástico e colorido, leva o protagonista a um mundo vazio e em preto e branco, mas onde os livros voadores trazem a cor de volta.
Aqui a história do cinema serve para ilustrar a persistência da literatura, como um filho falando de um avô, ambas formas de contar histórias, de dar asas a imaginação e voar para mundos distantes. Da mesma forma que o protagonista escreve o "livro de sua vida" que se torna mais uma obra presente na biblioteca mágica, Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore se torna um interessante capítulo na grande história do cinema.
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Vitor Sebastiany da Silva
O vídeo me passou uma sensação de tranquilidade e, ao mesmo tempo, de reflexão. O que mais chamou minha atenção foi a forma como a história consegue ser contada praticamente sem falas, usando as imagens, a música e os movimentos dos personagens.
Achei interessante como os livros aparecem durante toda a história e vão ganhando um significado maior para o personagem. Para mim, eles representam conhecimento, companhia e também uma forma de recomeçar.
Mesmo não entendendo muito de cinema, acredito que o filme consegue transmitir bem sua mensagem. Minha principal interpretação é que o curta mostra como o conhecimento pode transformar a vida de uma pessoa e continuar sendo compartilhado com outras, mesmo depois que ela se vai.
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Júlia Mendonça
Gostei bastante da forma como a trilha sonora e as cores acompanham o ritmo do filme, contribuindo para transmitir diferentes sensações ao longo da história. Mesmo sem falas, o filme consegue trazer momentos de humor e melancolia de uma maneira muito interessante.
Também achei importante a presença da crítica social, que é transmitida principalmente por meio das imagens, dos sons e das cores. A imagem limpa e a maneira como esses elementos são utilizados tornam a experiência visual ainda mais marcante.
De modo geral, achei interessante como o filme consegue transmitir tantas ideias e sentimentos mesmo sem utilizar diálogos.
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Maria Eduarda Assmann
Com uma história cativante, “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” flui mesmo sem utilizar diálogos verbais. O curta transmite diversos sentimentos sem dizer uma palavra, o que me deixou intrigada e curiosa.
A trilha sonora é um ponto essencial. É ela quem guia o espectador, passando por momentos calmos e outros de ápice. O uso das cores também chama a atenção. As pessoas em preto e branco ganham cor ao abrirem os livros e através deste elemento, o curta demonstra a importância da leitura na sociedade, como ganhamos conhecimento ao conhecer diferentes histórias e, literalmente, a vida tem mais cor.
Por um breve momento, achei que o final seria daqueles em que os acontecimentos são um sonho do protagonista, mas fiquei aliviada quando percebi que não. O curta consegue transmitir a força da leitura e mostrar como ela é essencial, especialmente no período atual em que sua presença na vida das pessoas diminui a cada dia.
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Breno Silva Gualda
O curta-metragem “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” (2011), dirigido por William Joyce e Brandon Oldenburg, de maneira leve e bem-humorada, aborda em síntese, a importância dos livros e de seus ensinamentos para o ser humano. Por meio das cores, da trilha sonora e da mudança de comportamento do personagem principal, a direção nos conduz em uma jornada que se inicia em uma catástrofe e, aos poucos, transforma-se em uma reflexão sobre conhecimento, memória, passagem do tempo e legado.
Após ver seu mundo em ruínas por conta de uma grande tempestade, a vida já monótona e desinteressante do protagonista, vai completamente ao fundo do poço. Se vendo nessa situação deplorável, o Sr. Morris Lessmore abandona tudo que já conhece, e por meio de uma nova influência, encontra nos livros uma nova maneira de recomeçar.
A direção de arte por meio do uso de diferentes tons, cria um paralelo muito marcante no curta. Tons acinzentados e sem vida, representam a perda e a desorientação do personagem após a catástrofe, enquanto, tons vivos e aconchegantes, retomam à cena enquanto o protagonista ,vive junto aos livros, a jornada de redescobrimento do sentido de sua vida. Da mesma maneira, a trilha sonora acompanha esse mesmo paralelo, sendo mais melancólica durante as cenas de crise do protagonista e mais animada e vibrante durante as sequências que se passam na biblioteca.
Por conta desse curta não apresentar diálogos, esse paralelo criado por meio da imagem e do som, que ganham ainda mais relevância, acaba tornando a narrativa facilmente compreensível para qualquer tipo de público, independente de sua língua nativa, cultura ou idade.
Outro ponto que chama atenção no curta é a forma como os livros são representados quase que como seres vivos. Demonstram sentimentos, adoecem, mas principalmente, criam laços com seus leitores ( e vice-versa). Essa escolha do roteiro e direção, reforça a ideia exemplificada no curta de que a relação entre uma pessoa e um livro pode ir muito além da simples leitura, podendo se criar um forte vínculo entre sujeito e objeto.
Ao decorrer do curta, o protagonista, ao mesmo tempo em que aprende com essas obras, passa também a cuidar delas e a compartilhar suas histórias com outras pessoas. Dessa forma, o roteiro retoma seu início, evidenciando um reconhecível e eficaz ciclo na obra, tornando agora o Sr. Morris para os outros, aquele mesmo tipo de influência que o fez ressignificar a sua vida após a catástrofe que abre o filme.
Isto posto, “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore”, mesmo que com um roteiro simples, consegue, por meio, principalmente desses paralelos criados pela direção, se tornar uma obra criativa e cativante, que triunfa em passar sua mensagem central para quaisquer de seus espectadores: Os livros têm o poder de transformar vidas, preservar memórias e transmitir conhecimentos que permanecem mesmo depois de nós.