==== Crítica: Dias Perfeitos (2023), dir. Wim Wenders por Amanda M. Dias Perfeitos é um daqueles filmes que parecem simples na superfície, mas deixam marcas profundas. Dirigido com delicadeza por Wim Wenders, o longa acompanha Hirayama (vivido de forma sublime por Koji Yakusho), um homem que trabalha limpando banheiros públicos em Tóquio — e que, apesar da rotina repetitiva, carrega uma vida interior rica, silenciosa e cheia de pequenos rituais. A narrativa é lenta, contemplativa, quase minimalista, mas isso é justamente o que faz o filme ser tão especial. Em tempos de excessos visuais e ruídos constantes, Dias Perfeitos é como um respiro calmo e necessário. O filme nos convida a observar o cotidiano com mais atenção, a valorizar os detalhes: a luz da manhã, uma árvore balançando ao vento, o som de uma música antiga em uma fita cassete. A fotografia é belíssima e carrega uma poesia visual discreta — cada enquadramento parece cuidadosamente pensado para transmitir silêncio, tempo e i...