Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore (2011), de William Joyce e Brandon Oldenburg
“The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”
(dir. William Joyce e Brandon Oldenburg, 2011, 15 min.)
Meu primeiro contato com o curta metragem Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore foi na primeira aula de crítica cinematográfica do curso de cinema da UFSC. À primeira vista, o que se destacou fortemente para mim foi a potência sonora trazida pela animação. Composto de uma trilha forte e dramática, muito coerente com aspectos referenciais da obra (descobri pesquisando mais tarde) que acompanharam toda a narrativa fantasiosa destacando a passagem de tempo e intensidade de sentimentos que saíram da perspectiva do protagonista e penetraram de forma súbita no meu corpo.
Com uma fluidez encantadora, a animação se destaca visualmente em sua forma e movimentos. As cores em toda sua capacidade explanam as intenções sentimentais da narrativa, o cinza e o colorido expõem a dualidade sentimental e criativa do protagonista. Ademais, acho relevante destacar que minha primeira interpretação da obra foi sob a perspectiva de leitora assídua apaixonada por criações em toda sua forma artística. Naquele primeiro contato com o curta, não me vesti de estudante de cinema, tão pouco busquei de forma ativa analisar os aspectos fílmicos presentes na obra. A vulnerabilidade da obra me colocou no lugar de ativista do que vem de dentro, sem análise ou possíveis definições, apenas interação entre a obra e minhas respostas sensoriais. Saí da aula encantada.
Meu segundo contato com curta metragem Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore foi na pesquisa sobre a obra. Ganhador do Oscar de Melhor Curta de Animação em 2012, "The Fantastic Flying Books" entendi que a trama aborda os efeitos devastadores do furacão Katrina, que assolou extensas áreas do sul dos Estados Unidos em agosto de 2005. Dirigido por William Joyce e Brandon Oldenburg, os diretores optaram por não focar na devastação da tragédia em si, mas sim em iluminá-la com a luz inspiradora encontrada na literatura. Com aspectos referenciais oriundos de "O Mágico de Oz", o protagonista Mr. Morris Lessmore é levado para um mundo onde os livros ganham vida, cada um oferecendo uma jornada única para o leitor explorar. A narrativa mescla fantasia com a paixão pela leitura, enquanto Mr. Morris Lessmore, uma representação de Buster Keaton, mergulha nesse universo de livros vivos.
De uma sensibilidade tocante, ao meu ver, a obra não precisa necessariamente dos pilares da referência histórica para tocar profundamente o espectador e no mínimo reviver o encanto trazido pela escrita e pelos livros as nossas vidas. De modo geral é uma encantadora animação que explora o impacto dos livros, revelando como podem abrir novas perspectivas e horizontes além daqueles que estamos habituados. Claro que entender o contexto histórico em que a obra está inserida, torna tudo ainda mais sensível e encantador. A perspectiva da esperança pós tragédia, vinda da destruição que se transforma em segundo plano diante da maravilhosa viagem que a literatura proporciona.
Em suma, Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore é um tesouro cinematográfico que cativa com sua beleza visual, sua narrativa emocionante e sua mensagem atemporal sobre o poder da imaginação e da literatura. Embora breve, é uma experiência que ficará na memória do espectador.
Juliana Lunardelli
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Tragédia, medo e sombras. Um mundo animado em 3D é devastado por tristeza e desesperança na medida em um tornado devasta tudo. Fui questionada pelo curto: o que é achar um propósito na vida depois que perdemos tudo? E a resposta foi dada a mim pelo mesmo acalentado abraço dos livros, das histórias, das memórias. O que fazemos quando não sabemos o que fazer? Buscamos nos livros o que foi feito antes de nós.
O mundo e a personagem central ganham cor no filme conforme interagem com a magia viva dos livros. Livros grandes, livretos, livros antigos. A personagem básica funciona em certa medida como uma tela em branco na qual os animadores parecem esperar que projetemos nossas próprias experiências. Até certo ponto funciona, mesmo que o design dos humanos seja o ponto mais fraco da obra. Peguei-me questionando ao final da vida do personagem: o que deixarei para trás? Quais livros li e quais escrevi? Que histórias vivi e quais eu contei?
Foram 15 minutos agradavelmente gastos e acredito que possa ser uma boa obra para ser apresentada e discutida em um contexto escolar, tanto pela duração curta, como pelas temáticas e pela escolha dos diretores de contar a história sem diálogo, favorecendo uma experiência orientada pela música e pelas imagens em movimento.
Jo P. Klinkerfus
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O curta animado “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore”, em uma análise superficial, se trata de uma história sobre um sujeito que gosta de ler e os eventos que o levam a conhecer uma coleção de livros voadores que passam a fazer parte de seu cotidiano pelo resto de sua vida, enquanto o leitor faz os livros parte da vida alheia. O curta tem uma estrutura narrativa dinâmica com partes semelhantes a atos. O primeiro é a vinda de uma tempestade poderosa, capaz de levantar casas e sugar as letras das páginas dos livros e a cor da vida das pessoas. O segundo é o encontro com uma mulher acompanhada de livros voadores e a vivência do leitor dentro de uma casa cheia de livros voadores. O terceiro é o restauro de um livro antigo que não voava mais e que após ser operado e lido, maravilha e emociona o leitor, depois voltando a trilhar os ares. O quarto é a distribuição dos livros às pessoas e com isso a cor, possivelmente simbolizando a alegria e emoção em suas vidas, voltando a elas. O quinto é a passagem do tempo para o fim da vida do leitor, que termina de escrever o livro que carregava consigo e alça voo com aparência jovem tal qual fazia a mulher dos livros voadores e cuja foto agora se encontra próxima ao do leitor e de outras pessoas na parede da casa dos livros. Por fim tem-se a vinda de uma menina que encontrando o livro escrito pelo leitor e lendo-o junto aos outros livros voadores abre caminho ao futuro.
Durante todos os instantes a música clássica se faz presente na ambientação, ora indicando uma atmosfera caótica e incerta, ora serena e melancólica e outras vezes animada e esperançosa. A música dialoga com os temas trabalhados pela história, a capacidade dos livros e seu conteúdo de trazer ao encontro dos leitores suas emoções e ânimo e também a natureza passageira, mas intensa da vida.
Outro fator trabalhado são os simbolismos em meio aos elementos e cenários da trama. O voo do leitor e antes da mulher representando a partida da existência e a ida ao além, mas feita de maneira esperançosa e não fúnebre.
Os quadros sendo a marca deixada no mundo por aqueles que escolhem trazer, ao seu modo, satisfação aos outros. Os livros alçando voo como as mentes das pessoas também o podem se ao menos se deixarem levar cativar pelos contos, fantasias e relatos, reais ou imaginários. A Cor no mundo e nas pessoas como uma vontade de viver e se emocionar, sendo reacesa pelos livros. Algo mais sútil, mas não menos importante, é o cuidado com o livro antigo como o cuidado com os antepassados, anciões e necessitados, podendo estes também transcenderem-se em voo e trazer maravilha à vida de quem os rodeia. Esta produção alia, como um bom filme, seus elementos sonoros, visuais e sensíveis. Fazendo isso em prol da apresentação de uma interpretação expressiva da leitura e da vida. Pela dinamicidade de seu andamento e o escopo de ideias e sentimentos que trabalha, não deixa nenhum instante de seus cerca de 15 minutos de duração tornar-se tedioso ou indiferente e promove a possibilidade de uma nova experiência ao ser revisto.
Davi Miranda Leite
Vencedor do Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animação em 2012, Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore (2011), dirigido por William Joyce e Brandon Oldenburg, é uma obra encantadora que faz uma bela homenagem à literatura e ao impacto transformador da leitura.
A trama acompanha Morris Lessmore, um escritor que vê sua rotina ser alterada de forma abrupta por uma tempestade semelhante à que transporta Dorothy para a Terra de Oz. Em meio ao caos, ele se depara com um mundo onde livros possuem asas e sabem se comunicar, que o acolhem e lhe oferecem um novo propósito: cuidar da sua biblioteca.
O curta faz uma referência ao cinema mudo, não possuindo falas, e preto e branco, com algumas cenas monocromáticas. A trilha sonora, suave e emotiva, complementa a experiência sensorial e reforça o tom melancólico e esperançoso da obra. A paleta de cores também desempenha um papel narrativo fundamental: no início, o mundo de Morris é cinzento e sem vida, mas, ao entrar no universo dos livros voadores, tudo ganha tons vibrantes. Da mesma forma, quando o senhor Lessmore entrega livros às pessoas, elas também vão ganhando cor. Essa transformação reforça a ideia de que as histórias trazem vida e significado à existência.
Outro tema abordado na obra é o ciclo da vida. Durante sua estadia na biblioteca, Morris está escrevendo um livro que, no final do curta, descobrimos ser a sua própria história. A cena pode carregar vários significados, sendo um deles o poder que temos de transformar as nossas próprias vidas, quando necessário. Após a morte do senhor Lessmore, uma garotinha chega à biblioteca dos livros voadores e recebe a missão de dar continuidade ao seu trabalho, outra alusão aos ciclos vividos por nós.
Embora a mensagem do curta seja inspiradora, alguns críticos podem considerar sua abordagem um tanto sentimentalista. Para mim, a obra é uma celebração apaixonada do poder dos livros em transformar vidas. Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore é uma experiência memorável, especialmente para aqueles que enxergam na literatura uma forma de viajar, sonhar e deixar um legado.
Raissa Hübner
----O que eu poderia dizer sobre "Os fantásticos livros voadores do Sr Morris Lessmore”? Bem, não tenho muita certeza porque mesmo o curta sendo bem feito em seus aspectos técnicos, como a montagem que é leve e as composições que são interessantes e arrastam seus olhos onde eles deveriam estar ou mesmo a animação em si, que está realmente confortável em brincar com o corpo do personagem principal ou com o comportamento corporal dos livros e a jeito de "fazê-los falar" que é interessante e atraente, me parece estar faltando algo único ao projeto..
A história em si é legal, mas parece meio previsível, mas de um jeito bom, mais como familiar. Tem um ritmo bom, como se quando entendêssemos para onde "nós" deveríamos ir, vamos lá com a história, e repetimos. Mesmo que você saiba o que está por vir, é legal ver como chegamos lá e é acolhedor.
Não posso deixar de mencionar o design e a modelagem porque a equipe criou um mundo vasto, interessante e crível em uma época em que a arte 3D facilmente ficava estranha e desajeitada, embora para os olhos de hoje pareça meio plano e comum, o tamanho do "conjunto" ainda impressiona.
Depois de dizer tudo isso, para mim, o curta peca nas cores. O curta parte de uma boa ideia: jogar se "cores vs preto e branco" como “interessante vs chato”, ou algo parecido. O preto e branco parece ótimo, embora pudesse ter mais contraste, mas as partes coloridas parecem planas e básicas, elas não ajudam a contar a história nem a criar uma estética para o curta, simplesmente replicando cores "reais" do nosso mundo. E sobre isso, as trocas entre os dois modos parecem acontecer muito rápido e vêm e vão fora do tempo, como quando o personagem principal encontra aquele lugar parecido com uma biblioteca, e ele está sem cor, mas assim que ele dá dois passos na casa suas cores voltam em um piscar de olhos, menos de meio segundo em uma vez só, como um clique da ferramenta do balde de tinta. Nada disso está errado, mas não é ótimo e poderia ser simplesmente fazendo essa troca lenta e intencional, deixe-o mostrar confusão antes e, conforme ele descobre e se interessa por aquele espaço, as cores voltam, então a mudança é mais relevante, mais poderosa e a recompensa mais gratificante. Poderiam ainda segurar a volta completa das cores e da saturação do personagem para cena em que o personagem “mergulha” na leitura do livro e tem um momento catártico. Inclusive, essa cena sem dúvida é a mais interessante e única do curta.
Em suma, é uma peça ótima e agradável, embora pudesse ser mais única e charmosa.
Laura D'Amoreira
O curta de William Joyce, The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, simboliza, ao meu ver, a carreira de um autor. Podemos observar a jornada percorrida pelo protagonista desde o início, o seu ponto mais baixo, o ganho de inspiração artística e, finalmente, seu ápice.
No início, vemos o protagonista, moço chamado Morris, lendo (ou, possivelmente escrevendo) um livro. A cena tranquila não dura muito tempo, e logo toda a cidade é levada por uma violenta tempestade. Ao recobrar os sentidos, Morris se vê em um lugar desconhecido, preto-e-branco, rodeado por destroços e outros cidadãos atônitos.
Joyce escolhe representar a perda de inspiração artística como o desastre natural que remove o protagonista da sua zona de conforto e o arremessa em um mundo descolorido e sem graça. Ao caminhar por esse novo terreno, Morris se depara com uma moça voadora. Ela, que usa um punhado de livros como balões--que a permitem voar--o vê, e um de seus livros voa em direção a ele.
Intrigado, Morris segue o livro, que paira numa direção desconhecida. Ao se deparar com uma pequena biblioteca, Morris não hesita em entrar.
O emaranhado de livros que permitem à moça voar, para mim, simbolizam o corpo de trabalho de um escritor realizado. Morris encontra alguém na qual ele pode se inspirar, e conhecendo seu trabalho--por meio do livro que voa até ele--Lessmore atende o chamado.
Chegando na biblioteca, Morris é recebido pelos livros, felizes em vê-lo. Apesar de se sentir acolhido e se estabelecer no lugar, o protagonista nunca de fato lê os livros, tão abundantes a seu redor. Em uma das tardes na biblioteca, Morris encontra um livro em péssimas condições e tenta repará-lo. Apesar das tentativas, o livro ainda parece irresponsivo. Nesse momento, outro livro, o que guiou Morris para a biblioteca no início, sugere que Morris o leia.
Ao ser lido, o livro ganha vida novamente e assim, confere a Morris o que ele buscava desde o desastre do início. Aquele único livro faz com que Lessmore engaje de verdade com a leitura, e possa desfrutar de outros livros também. O vemos envelhecer, e assim, se tornar um autor realizado.
No fim, Morris voa para fora da biblioteca com seus livros, como fez a moça antes dele. Ao voar, ele é avistado por uma menina, e um dos livros vai em direção a ela, repetindo assim o ciclo de inspiração, tema principal do filme.
Joyce constrói uma narrativa simples de entender, que comunica seus temas de forma direta, mesmo quando não são entendidos por completo. Apesar da falta de sutileza, o diretor consegue se manter interessante, e nunca é óbvia o suficiente para que se adivinhe toda a história antes dela acontecer. A jornada de Morris é interessante fácil de se empatizar, e o filme animado é uma forma excelente de promover a leitura e a preservação de livros.
Jorge Rangel
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O curta-metragem lançado em 2011 e que ganhou o Oscar de melhor curta animado em 2012 conta com 15 minutos de pura emoção e uma história encantadora. O curta tenta evidenciar a importância da literatura em nossas vidas e a magia de imaginar o impossível que o livro pode nos transmitir, e faz isso com muita delicadeza e atenção.
Começamos conhecendo um escritor que está escrevendo seu livro, mas um furacão aparece e embaralha todas as letras e sua vida, nesse momento é perceptível a inspiração que os diretores tiveram com a obra O Mágico de Oz, lembrando muito a cena da obra. Depois do furacão então, temos a representação desse mundo todo preto e branco, remetendo um pouco a um mundo sem arte, sem cores. A passagem para as cores me representou essa passagem para conhecer a literatura e viver com ela. A mulher com os livros parecendo balões, achei muito criativo, passou a mensagem de que as palavras nos livros, a escrita, a leitura incentivam a imaginação criando as mais variáveis e imagináveis histórias.
O protagonista acaba indo para uma biblioteca e ali vemos toda a sua interação com os livros, achei muito interessante a utilização de músicas clássicas no filme e as escolhas delas, exemplificando as emoções que o personagem estava sentindo. Podemos acompanhar a rotina do personagem onde há algo incrível na minha opinião, a adaptação de coisas cotidianas, como a cama,para o contexto do curta que foram bem feitas, o'que torna até as mínimas ações em algo interessante.
Na cena onde temos o livro “morrendo” podemos perceber a importância do hábito e acesso a leitura, o livro sem ter o leitor é somente um conjunto de folhas que ao longo do tempo vai se deteriorando, por isso a importância do acesso à literatura. A escolha de uma música da Édith Piaf na cena posterior foi algo que me chamou muita atenção também, podemos ver transparecer para o curta a paixão que a cantora tinha com a sua arte para o contexto do personagem.
Chegando ao fim podemos notar como o incentivo e apreço pela leitura pode ser passada de pessoa em pessoa de uma forma boa. O curta também se destacou na imaginação na formulação dele, como por exemplo as páginas do ovo que representam a sua fala e emoções. Também há a presença de temáticas muitas vezes sensíveis para alguns públicos, como a morte, mas o curta trata esses de uma forma tão leve e natural que não nos deixa melancólicos e tristes, mas sim, confortados.
Concluindo, o curta mesmo sem nenhuma fala, que é o que estamos mais habituados, passa mensagens super importantes para todos, a leitura como forma de conhecer outros lugares e mundos, de soltar a imaginação e de levar isso para os outros.
Robner Domenici
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Tem filmes que a gente assiste sem esperar muita coisa e, no final, se pega pensando sobre eles. Esse curta é uma animação bem simples, sem falas, mas com uma história cheia de simbolismos e uma mensagem bem bonita sobre o impacto dos livros na nossa vida.
A história tem aquele começo meio triste: o protagonista Morris está tranquilo escrevendo sua história quando, do nada, uma tempestade leva tudo embora e deixa o mundo ao redor dele completamente sem cor, em preto e branco. Ele fica perdido até encontrar uma biblioteca mágica, onde os livros ganham vida e passam a ser seus companheiros. A partir daí, ele descobre um novo sentido para sua vida e, de alguma forma, traz cor para o mundo de novo. Mesmo sem diálogo nenhum, a trilha sonora dá conta do recado e consegue passar toda a emoção das cenas.
Eu gostei muito desse uso das cores, pois fica bem claro que os livros fazem esse papel na vida das pessoas: dão cor, sentido, emoção. Achei essa transição muito bem feita. Outro detalhe foi como o filme usa analogias para falar do tempo. As páginas dos livros envelhecem, assim como as pessoas. Dá pra sentir uma certa melancolia, como se ele quisesse mostrar que tudo passa, mas as histórias ficam.
E sobre os livros, eles não são só objetos ali no cenário, eles realmente parecem ter vida própria. O livro que acompanha Morris o tempo todo é praticamente um personagem por si só. Eu achei genial a forma como ele “fala” sem precisar de palavras, só com as expressões que aparecem nas suas páginas virando.
Enfim, o curta me deixou com aquela sensação boa de quando a gente lê um livro que marca. Ele mostra como as histórias nos transformam e fazem parte da nossa vida.
Vitória Amaral Marques
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O curta Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore apresenta a história de Morris no seu encontro mágico com a literatura em tempos ásperos – e ainda, a reconstrução de um imaginário tomado pela tragédia. O filme gira em torno da temática do fazer e ler literário – e de que maneira ambos transformam a vida tanto do autor como do leitor. Ao fim, como mensagem, fica ao telespectador a ideia de que mesmo após a morte de um artista o seu legado continuará contemporâneo e imortal. Entretanto, é mister observar sob outra ótica a questão [utópica] envolvida na moral, ou nas diferentes morais, no conceito da importância da leitura.
Como a película demonstra, a leitura torna-se uma válvula de escape para outro universo – e, concomitantemente, a reestruturação da sociedade “virada de ponta-cabeça” na introdução. Digo utópico, anteriormente, se pormos em paralelo autores como Roberto Bolaño, ou ainda Graciliano Ramos – a exemplos –, que não nos fazem “viajar em outro mundo”, senão denunciar as mazelas de nossa própria realidade (por vezes oculta e tomada pela violência, caos e miséria). É preciso citar, ademais, o escritor alemão Ernst Jünger, cuja obra ovaciona os efeitos “metafísicos” singulares e pessoais da guerra. Abre-se uma brecha, de maneira análoga: toda literatura transforma para o bem?; e, ainda, todo artista importante do passado ficou para o presente e para o futuro? Quiçá tal percepção seja muito generalista. Por certo, há livros e livros – uns que toquem mais nosso íntimo, mudem nossa percepção –, mas é preciso levar em conta que a literatura, tal como toda e qualquer forma de Arte, é um campo minado.
O curta representa bem as singularidades e unicidades dos livros – como todo volume toma e possui um corpo e um ciclo de vida no qual os levam a um padecimento na matéria. O ponto alto da reflexão proposta por Joyce e Oldenburg e, destarte, as inúmeras responsabilidades tomada por quem se entrega ao fazer, ler e, quem sabe, ser literário: a descoberta, a preservação, a redação e o compartilhamento de aprendizados. Assim, o poderio estaria nas consequências benéficas dessa retroalimentação (individual e social) em prol de um ambiente feliz, acolhedor, humano etc., enfim.
Portanto, demonstra-se que a Arte tem uma força construtiva no social, na moral e na ética – o outro lado estaria na heterogeneidade, nos “casos e casos”: assim como uma obra não é igual a outra, tampouco o homem o é.
Magnus Ferreira de Melo
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O curta animado passa a história de como se forma uma mente criativa através do personagem que no início demonstra insatisfação com o que está escrevendo, mas no final ele consegue terminar o seu livro. O protagonista possui uma aparência e trejeitos muito similares ao ator Buster Keaton com seus olhos caídos e trajes, o que complementa muito o humor e storytelling mudo que segue pelo filme. As escolhas de referências são bem ressaltadas, logo no começo temos um simbolismo grande com o preto e branco e o livro vermelho no meio do furacão seguida do personagem andando em uma rua intacta de pedras. Os detalhes destas cenas e o encontro que tem com o colorido reflete a forma que technicolor foi usada no filme musical “O Mágico de OZ” quando apresenta o novo ambiente em cores, a biblioteca.
Ao ver uma mulher voando com os livros somos apresentados a esse conceito de que o livro do protagonista não é vivo porque não está terminado e não possui conteúdo. Para poder aprender mais sobre isso, o protagonista segue em direção à biblioteca e primeiro ele se integra com o seu espaço ficando colorido e depois exploramos a biblioteca com o personagem.
O arco do personagem segue, assim como em “O Mágico de Oz”, com uma falta de algo. O protagonista percebe que quando ele precisa ler o livro para salvá-lo ele entende que precisa se engajar com o material para conseguir criar o seu próprio. Quando o livro é terminado, se entende a mulher voando com os livros, significando a inspiração e incentivo que autores têm em outros autores. O protagonista já velho termina sua missão na história e ele sai voando com os livros e deixa seu livro que encontra outra pessoa para guiá-la até a biblioteca. Os livros na animação feitos como mascotes servem uma função que mostra a relação de modo literal que muitos estudiosos e leitores têm com o objeto. Algo que se destaca também foi o uso de cores nas pessoas que vão até a biblioteca e principalmente na jornada de cores que o protagonista passa na história.
Sofia Lopez
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Entre estudiosos e entusiastas da sétima arte, ainda é visível a presença de certas visões que desvalorizam os filmes de animação. Frequentemente, esse tipo de obra enfrenta o estigma de não ser considerado tão legítimo ou completo em suas funções quanto os filmes live-action. Entretanto, olhar para as produções cinematográficas por essa lente é ignorar toda a originalidade, a técnica e a cultura de representação envolvidas nesse processo, além das contribuições que o próprio formato utilizado pode trazer à narrativa. Nesse contexto, o curta-metragem “Os fantásticos livros voadores do Sr. Modesto Máximo” é um exemplo fílmico onde forma e enredo valem-se de uma relação simbiótica, existindo em benefício mútuo e demonstrando o valor visual e discursivo do cinema de animação.
No filme em questão, o personagem principal é apresentado como um apreciador dos livros e das histórias ao ocupar seu tempo dedicando-se à leitura e à escrita. Porém, ele é retirado de seu mundo convencional por uma tempestade que leva embora todas as suas noções de segurança, conforto e monotonia. Modesto é carregado pela violência dos ventos junto com seus livros, que se perdem pelos ares assim como ele próprio. Conforme torna-se impotente quanto ao seu destino, o mundo ao seu redor também vai perdendo as cores e adentrando a melancolia do preto e branco. Perdido e vagando por um mundo semidestruído, ele reencontra a esperança ao avistar os livros voadores que enchem o mundo novamente de cor ao mesmo tempo em que carregam outros personagens para cima e para fora daquela tristeza.
Acima de tudo, percebe-se que esse é um filme sobre o trajeto de encontrar novamente a luz em momentos de dificuldade e escuridão. Ao mesmo tempo em que o protagonista luta entre o receio e a curiosidade nesse processo, ele passa a encontrar seu conforto nos livros novamente. São as páginas, as palavras e as histórias que lhe indicam a saída do estado mental negativo em que se encontra. O redescobrimento de si vem junto com a compreensão de que a vida dos livros reside em uma relação de salvação mútua, pois eles só existem plenamente quando vivem na mente ou na memória do leitor. A partir disso, Modesto transpassa a leitura para reencontrar também sua coragem de escrever e de contar suas próprias histórias, eternizando-se nas páginas assim como aqueles livros que o elevaram a alcançar sua realização e construir seu legado.
Nesse sentido, ao representar uma narrativa de aspectos fantásticos e surrealistas, o roteiro encontra apoio na técnica de animação por constituir um formato que aceita com maior naturalidade a representação daquilo que não está fisicamente ligado ao mundo real. É também através dessa estrutura criativa conectada ao imaginário que o filme constrói todas as suas metáforas, importantes formadoras da mensagem proposta. A presença ou ausência de cores em momentos alternados da obra também exerce uma função narrativa de destaque, seja para conferir um tom específico à sequência ou para refletir o estado de espírito do personagem. A trilha e os efeitos sonoros criam a ambiência necessária para que não se sinta falta dos diálogos verbais. Assim, a interdependência entre formato, conteúdo e discurso demonstram uma obra coerente e coesa, que se justifica em si mesma e aponta a intencionalidade de cada uma de suas escolhas. Por fim, o grande potencial de identificação com o espectador ao tratar de temas e sentimentos universais é o que torna a obra ainda mais cativante, capaz de ser fruída sem nem ao menos a presença da expressão verbal. Além de ser a arte da visualidade, é a arte da história.
Raquel Lopes de Almeida
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O filme, Os Fantásticos Livros Voadores do Senhor Lessmore (2011), é uma animação estadunidense dirigida e escrita por William Joyce, com codireção de Brandon Oldenburg. O filme, premiado com o Oscar de melhor curta de animação em 2012, trata de maneira metafórica e sem falas, e por vezes de maneira pouco sutil, de temas como a importância da literatura e a imortalidade do autor.
O curta se inicia em uma localidade que aparenta ser uma cidade localizada no Sul dos EUA durante a primeira metade do século XX. O personagem principal, o senhor Lessmore, tenta, com pouco sucesso, desenvolver uma história em um livro que parece tristinho. O processo de escrita do autor termina com o início de um grande tornado que destroi toda a cidade. Após o desastre natural, Senhor Lessmore avista uma série de livros voadores que guiam uma mulher como se fosse balões. Lessmore tenta fazer o mesmo com seu livro que tentava escrever, porém não obtém sucesso. É neste momento que um dos livros que acompanhavam a mulher passa a guiar o senhor Lessmore para uma antiga biblioteca, cheia de livros animados em que Lessmore cuida destes como se fossem seus filhos, distribuindo os livros para as pessoas e trabalhando em sua própria obra, até o momento de sua morte.
As cenas na biblioteca estão cheias de metáforas e desvendam o tema do filme, porém com pouca sutileza. As metáforas são por diversas vezes óbvias, como por exemplo, em como os livros doados para as pessoas que passam pela biblioteca saem do cinza e passam a ter cores novamente. Também a metáfora sobre a imortalidade dos autores, tratada no momento em que o senhor Lessmore falece, indo para os seus, assim como a mulher nos minutos iniciais do curta, sendo guiado por livros para o seu, porém a sua obra, agora completa e feliz, descendo e criando vida junto aos outros livros.
Apesar destas metáforas pouco sutis, o filme, voltado para o público infantil, trata de temas importantes para esta faixa etária, apresentando-os de maneira leve e bela, se tornando um bom filme para o que se propõe.
Tiago Lerina Lucas
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O curta-metragem “Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore“ (2011) de William Joyce e Brandon Oldenburg é uma obra que tece por meio de complexas animações, composição de cores e trilha sonora uma jornada profunda, conectando temas de autodescoberta, transformação pessoal e redenção.
O filme acompanha história de Morris, ao passar pelo panorama da sua vida, que se inicia ao mostrar a personagem com um livro vermelho, estampado com uma cartola e cano, reflexos de sua imagem, uma vez que o livro parece representar ele mesmo, como uma espécie de diário, ou até mesmo, alma.
Logo em seguida, a cena muda drasticamente, uma vez que o cotidiano tranquilo de Morris é devastado por um tornado que acaba por deixar não só sua cidade devastada, mas também como retira toda a cor e vivacidade do universo representado. Além disso, no meio da confusão, o protagonista perde seu caderno, O caos da perda parece comunicar uma desolação e perda significativa para o personagem, numa espécie de ruptura com seu lado vivo, artístico e criativo. O encontro com um livro voando é o ponto de virada, introduzindo o elemento mágico que guiará a jornada de Morris em direção à autodescoberta. O livro o guia em direção a uma casa, que logo descobrimos ser uma biblioteca.
A cena em que Morris entra na biblioteca ao ser guiado por um livro voador, é particularmente significativa, pois simboliza o início de sua jornada de autodescoberta. Ao mergulhar nos livros e nas histórias que eles contêm, Morris não apenas se reconecta com sua imaginação e criatividade, mas também encontra respostas para suas perguntas mais profundas sobre identidade e propósito. A conexão entre Morris e os livros voadores é um aspecto central que permeia todas as cenas do curta. Esses livros representam não apenas conhecimento e escapismo, mas também a promessa de uma transformação interior. À medida que Morris se entrega à magia desses livros, ele embarca em uma jornada de redescoberta de si mesmo e de sua paixão pela narrativa.
Ao tomar seu posto como bibliotecário, o rapaz segue ajudando diversas esosas, cada um com uma necessidade específica, ao introduzir o poder dos livros e imaginação para a vida de cada um. É a partir do seu serviço à comunidade que é possível perceber a mudança no espírito de Morris, uma vez que a cada pessoa que ajuda, sua alma cresce e, por consequência, seu livro também. Essas cenas ilustram sua jornada de redenção e renovação pessoal, mostrando como a arte e a expressão criativa podem ser poderosas ferramentas de auto descoberta e desenvolvimento de inteligência emocional.
A cena final, em que Morris se torna guardião das histórias e dos livros voadores, é um momento de plenitude e realização. Ele abraça completamente sua identidade como contador de histórias e guardião do conhecimento, encontrando um novo propósito e significado em sua vida. Ao terminar o último capítulo de sua história, fecha seu diário e voa ao ser levado pelos livros, passando seu manto para uma jovem menina, a mais nova bibliotecária da vida, para que ela possa cuidar, inspirar e florescer com seu jardim interno ao manter os livros e disseminá-los para quem os precise.
Maria Carolina Sturm
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Dos filósofos liberais, à coachs de Linkedin e até dentro de grupos progressistas, a premissa do conhecimento como meio de “iluminar” uma pessoa já é algo presente no imaginário de grande parte da sociedade, independente do tipo de conhecimento que a pessoa fala.
Veja, essa metáfora já pode ser classificada como um senso comum da atualidade. Hoje, vemos inclusive coachs modernos vendendo livros de auto-ajuda com frases que refletem essa mensagem. No entanto, em sua maioria estão isentos de qualquer senso crítico e zero consciência de classe.
Nesse sentido, o curta-animação Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore, também não foge muito do senso comum e da obviedade. Trazendo literalmente no seu visual, os livros como aqueles que trazem cor ao mundo e “Iluminam” as pessoas, até nos momentos de maior desastre - à exemplo da ventania que varre as casas de todos, no início do filme.
Quase como se o filme tivesse reduzido a literatura a um tipo de panaceia da sociedade. Tal qual, aquele seu tio que fala “tem que investir em educação”, mas acaba não indo muito além disso no comentário, esvaziando o significado da frase.
Desse modo, a animação romantiza a literatura ao máximo, quase como algo sagrado e imaculado. Sem nem desafiar a problematizar as variedades de livros existentes, que podem inclusive conter ideologias de propagação de ódio e pensamentos autoritários. Mas no Universo dos Fantásticos Livros Voadores não. Lá os livros são mágicos, voam, são belos, e carecem de qualquer contradição.
Mas isso não exime o curta de momentos interessantes, é claro. Há certos trechos que são construídos de forma interessante, e até emocionante. Como a cena em que um livro caindo aos pedaços é encontrado, e o personagem o leva para sala de cirurgia. O absurdo explorado na situação, traz inclusive um teor cômico, que faz rir ao mesmo tempo que traz preocupação com o estado do livro. E depois de tentar remendar o livro de todas as maneiras, o personagem percebe que é o lendo que ele ganha vida.
Ou quando no final de sua vida, o protagonista é alçado aos céus pelos livros, traçando um paralelo direto com o início do filme, onde vemos uma mulher também sendo levada pelos livros, mas não entendendo muito bem o porquê. Algo que traz um mistério e uma recompensa para quem assiste até o final.
Mas de fato, esses poucos lampejos de criatividade não salvam o curta de ser esquecível. Algo que desponta. Já que é um filme que se propõe a falar indiretamente sobre a imaginação, mas é pouco imaginativo na sua narrativa. Algo que contradiz com o próprio visual do filme, que traz elementos interessantes, como: a pessoa alçando aos céus levada pelos livros ou as pontuais referências ao cinema mudo, com o humor corporal e o uso do preto e branco.
Se for pra fazer uma comparação, diria que os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore é aquela obra com uma capa chamativa, diagramação detalhada, mas que carece de atrativos narrativos, ficando fadado a ser aquele livro que vai acumular pó na sua estante e talvez de vez em quando você lembre de passar um pano nele.
Yuri Micheletti
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Se você quer sentir aquele quentinho no coração enquanto vê uma história se desenrolar até um final feliz, o curta "Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore" é a escolha perfeita. A animação, lançada em 2011 e dirigida por William Joyce e Brandon Oldenburg, transcende a tela para tocar os corações dos espectadores com sua beleza visual e narrativa emocionante, sem dizer uma palavra sequer. Retrata de forma emocionante o poder transformador dos livros na vida de leitores, independente da idade.
A história gira em torno de um escritor de livros, cuja vida é virada de cabeça para baixo depois de sua cidade passar por uma grande tempestade. Ele, e outros habitantes do local, são transportados para uma dimensão sem cores, onde se vêem cercados por tristeza e desolação. Sua busca por sua obra, que foi perdida em meio ao temporal, o leva a uma biblioteca mágica, onde os livros ganham vida - e asas -, e o ajudam a redescobrir o propósito e a paixão pela escrita.
Através dos livros, ele se encontra na jornada de qualquer amante da literatura: cheia de desafios e descobertas. A biblioteca colorida se torna um refúgio, onde ele não só encontra suas próprias respostas, mas também ajuda a colorir a vida daqueles que o rodeiam.
A cena em que o protagonista restaura um livro antigo é um momento tocante no curta. Ela me lembrou que, mesmo as histórias mais antigas e desgastadas, podem ser revividas e apreciadas por gerações futuras. A transformação do personagem idoso em um jovem novamente no final da história é uma metáfora poderosa da imortalidade que a arte proporciona. Sua obra o eterniza, permitindo que ele continue a viver através das palavras e das histórias que ele compartilhou com o mundo.
Para mim, "Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore" é um lembrete de que, mesmo nos momentos mais sombrios, a literatura pode nos guiar para a luz, alimentando nossas almas. Me teletransportou para a época do ensino fundamental, em que eu lia por horas e mais horas para fugir da realidade. Aqueles momentos foram essenciais para eu imaginar uma realidade para além daquilo que vivia e ter a certeza que tempos melhores viriam.
Giovanna Goin
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A animação ganhadora do Oscar de melhor curta de animação em 2012, traz consigo a premissa de mostrar o poder da leitura através da trajetória de um escritor que perde seu sossego ao se ver no meio de uma tempestade, quando um furacão vem e leva embora seu livro e todas as cores do mundo.
O filme então assume o papel de mostrar como o mundo vai voltar a ser colorido, e isso acontece através da leitura.
O filme não tem diálogos, é através da expressão dos personagens e da trilha sonora que entendemos o que está querendo ser mostrado, em contrapartida, ao invés de deixar a animação mais dramática e íntima, deu a sensação de que faltou tempo para concluir o filme, não parece um projeto finalizado e sim um projeto feito às pressas. Ainda focando na trilha sonora, em momentos emocionais, onde a música precisa ser intensa, o som extrapola de volume comparado aos foleys corriqueiros, mesmo com o volume da tv no máximo, foi difícil captar os barulhos dos movimentos dos personagens, sendo mais um filme que precisa ser assistido com o controle na mão, ajustando o que a engenharia de som não fez durante a pós produção.
Como o próprio nome já diz, o filme quer mostrar o quão fantásticos os livros podem ser, e em minha opinião, ele consegue cumprir esse papel. Ao atingir seu potencial criativo, o nosso protagonista cria a capacidade de devolver cor ao mundo e começa seu papel de espalhar o amor pela leitura e ensina como ler pode te trazer os melhores dos sentimentos.
É de fato um filme bonito e interessante, mas talvez tenha sido mais relevante em 2012, quando ganhou seu prêmio. Assistindo hoje em dia, quase treze anos depois de seu lançamento, é impossível não achar pelo menos um pouco…brega. Num todo, é visualmente bonito e vale a pena assistir pela sua curta duração.
Evelyn
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Este curta animado de 2011, dirigido por William Joyce e Brandon Oldenburg, com a concepção e roteiro também de William Joyce, trata da vida de um homem em sua constante relação com a escrita, a literatura e a arte. Rodeado de livros, e procurando escrever o seu próprio, ele é alvo de uma imensa tempestade com um furação que o carrega para longe. Quando a tempestade termina, está num lugar distante, ainda munido do livro de capa vermelha que escrevia, de seu chapéu e bengala. Caminha pelo ambiente cheio de coisas quebradas e pessoas desoladas pelo acontecimento. Há muitos papeis espalhados pelo chão e as letras não param no seu livro, são levadas pelo vento. O conjunto de símbolos criados traz a ideia de que o mundo conhecido se fora, que há um extraviamento da história, que nada está em seu lugar.
O Sr. Morris encontra uma mulher voando, são os livros que a conduzem pelo céu, como pássaros de folhas batendo. É guiado por um dos livros a uma biblioteca, este tem uma personagem que interage com o Sr. Morris, é um Humpty Dumpty, um ovo com características humanas que esboça emoções. Humpty Dumpty é personagem de rimas infantis inglesas, e bastante conhecido por aparecer no livro de Lewis Carrol, Alice Através do Espelho. Outra associação possível é a do personagem do Sr. Morris com Charles Chaplin e Buster Keaton, a partir do chapéu e da bengala que usa como acessórios, mas há principalmente a semelhança física com Keaton, o jeito atrapalhado e caricato do Sr. Morris faz uma homenagem a essas figuras do cinema, artistas contadores de histórias.
A vida humana e a vida dos livros se assemelham em muitos pontos, ambas precisam ser cuidadas, compreendidas, lidas. À medida que o Sr. Morris passa seus dias na biblioteca, fazendo dela seu trabalho, mais toma parte da rotina do ambiente, o entra e sai de livros, vestir-se para sair e acomodar-se nas prateleiras quando a noite chega. Ele cuida da restauração dos livros e de emprestá-los às pessoas que chegam à biblioteca. Estas, em preto e branco, ganham corres assim que leem algumas palavras. Descobre-se, neste curta, que o que mantém um livro vivo, sobretudo, é o fato de ser lido. Que mesmo tendo uma vida finita, nós humanos sobrevivemos nas histórias que escrevemos, nas lembranças que evocamos através delas.
O curta de William Joyce transformou-se também em um livro, traduzido no Brasil como Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo (2012). Foi publicado pela editora Rocco Jovens leitores, sendo traduzido por Elvira Vigna. Foi através do livro que tive acesso ao curta-metragem e não o contrário. Minha cunhadinha de oito anos, Alice, o retirou na biblioteca da escola e e me mostrou. Encanto-me a cada vez que assisto este curta-metragem, que aborda o poder transformador da leitura, o impacto positivo que esta prática pode ter nas vidas humanas, e como construímos relações, amizades e conexões a partir dos livros que nos rodeiam.
Talita Von Gilsa
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Meu primeiro contato com o curta metragem Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore foi na primeira aula de crítica cinematográfica do curso de cinema UFSC, em uma sala onde o som do ar condicionado ligado motivado pelo calor de março preenchia ruidosamente toda a sala de aula. À primeira vista, o que se destacou fortemente para mim foi a potência sonora trazida pela animação. Composto de uma trilha forte e dramática, muito coerente com aspectos referenciais da obra (descobri pesquisando mais tarde) que acompanharam toda a narrativa fantasiosa destacando a passagem de tempo e intensidade de sentimentos que saíram da perspectiva do protagonista e penetraram de forma súbita no meu corpo.
Com uma fluidez encantadora, a animação se destaca visualmente em sua forma e movimentos. As cores em toda sua capacidade explanam as intenções sentimentais da narrativa, o cinza e o colorido expõem a dualidade sentimental e criativa do protagonista. Ademais, acho relevante destacar que minha primeira interpretação da obra foi sob a perspectiva de leitora assídua apaixonada por criações em toda sua forma artística. Naquele primeiro contato com o curta, não me vesti de estudante de cinema, tão pouco busquei de forma ativa analisar os aspectos fílmicos presentes na obra. A vulnerabilidade da obra me colocou no lugar de ativista do que vem de dentro, sem análise ou possíveis definições, apenas interação entre a obra e minhas respostas sensoriais. Saí da aula encantada.
Meu segundo contato com curta metragem Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore foi na pesquisa sobre a obra. Ganhador do Oscar de Melhor Curta de Animação em 2012, "The Fantastic Flying Books" entendi que a trama aborda os efeitos devastadores do furacão Katrina, que assolou extensas áreas do sul dos Estados Unidos em agosto de 2005. Dirigido por William Joyce e Brandon Oldenburg, os diretores optaram por não focar na devastação da tragédia em si, mas sim em iluminá-la com a luz inspiradora encontrada na literatura. Com aspectos referenciais oriundos de "O Mágico de Oz", o protagonista Mr. Morris Lessmore é levado para um mundo onde os livros ganham vida, cada um oferecendo uma jornada única para o leitor explorar. A narrativa mescla fantasia com a paixão pela leitura, enquanto Mr. Morris Lessmore, uma representação de Buster Keaton, mergulha nesse universo de livros vivos.
De uma sensibilidade tocante, ao meu ver, a obra não precisa necessariamente dos pilares da referência histórica para tocar profundamente o espectador e no mínimo reviver o encanto trazido pela escrita e pelos livros as nossas vidas. De modo geral é uma encantadora animação que explora o impacto dos livros, revelando como podem abrir novas perspectivas e horizontes além daqueles que estamos habituados. Claro que entender o contexto histórico em que a obra está inserida, torna tudo ainda mais sensível e encantador. A perspectiva da esperança pós tragédia, vinda da destruição que se transforma em segundo plano diante da maravilhosa viagem que a literatura proporciona.
Em suma, Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore é um tesouro cinematográfico que cativa com sua beleza visual, sua narrativa emocionante e sua mensagem atemporal sobre o poder da imaginação e da literatura. Embora breve, é uma experiência que ficará na memória do espectador.
Juliana Lunardelli
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Sensível, cativante e impactante: essas são as palavras que melhor descrevem o curta "Os Fantásticos Livros Voadores do Senhor Lessmore". Escrita e dirigida por William Joyce, a animação estadunidense conta a história de um escritor que é levado a um mundo diferente por um tornado: a narrativa cativa pela sua originalidade e pela forma como envolve o espectador em uma jornada emocionalmente rica.
Desde o início, somos transportados para um universo mágico: a movimentação de câmera, os efeitos sonoros meticulosamente trabalhados e a trilha sonora perfeitamente sincronizada criam uma experiência imersiva que prende a atenção do público do começo ao fim. As palavras voam e os minutos se passam, brincando com a imaginação do espectador ao entrar em um mundo alternativo do início, onde tudo é preto e branco, cheio de páginas rasgadas ao chão. Encontrar as cores vibrantes após frames de desesperança enche as expectativas: completando a narrativa, tornando cada cena especial, como se as cores refletissem os sentimentos do personagem.
Os elementos constroem, em um ótimo passo, o desenvolvimento da história: a conexão do Senhor Lessmore com os livros, a transformação de objetos do cotidiano em livros — desde a cama e o relógio até os elementos da mesa de cirurgia — e a sensação de que os livros também passam por todas as emoções são pontos de extrema importância para entender os vínculos que vão se formando, cercados por metáforas, como o momento em que o personagem “alimenta” os livros com cereal de letrinhas, atraindo a atenção para o poder de “nutrir” das palavras.
Nesse desenvolver, conhecemos o que se torna a vida do personagem: os dias que passa escrevendo, os dias que passa distribuindo livros para pessoas que também estão perdidas, os dias que passa lendo: aos pouquinhos, ele envelhece. Envelhece de uma maneira sútil, com uma repetição brilhante de todos os cenários, mudando suas características físicas.
A jornada do protagonista, ao chegar ao fim, traz descobertas, conclusões, inspirações: a sensível e brilhante concepção de ser eternizado por suas palavras paira no ar enquanto os créditos são folheados das páginas — literalmente!
O curta é uma construção incrível de ideias, com a criatividade fluída que aguça a imaginação de quem assiste, deixando uma marca na história do cinema e uma lembrança duradoura na mente de cada espectador.
Nathália Madeira Dias
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Vez ou outra a gente se esbarra com uma animação que a princípio parece daquelas que vai esquentar nosso coração e nos dar um boa dose de diversão, mas no final nos dá um soco na cara e uma dose de cachaça.
Estou falando aqui do curta metragem estadunidense, e ganhador de melhor curta metragem de animação “The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore” dirigido e escrito por William Joyce e Brandon Oldenburg. William Joyce para os que não o conhecem, foi o mesmo que escreveu o livro que inspirou o filme “A família do futuro”, e com isso já dá pra entender mais ou menos o teor que essa animação aqui segue, um filme fofo, deveras engraçadinho e belamente produzido, mas que ao analisarmos de perto consegue induzir temáticas que podem ser dificil de se ilustrar, em especial para uma animação infantil.
Aqui a gente acompanha nada mais nada menos do que Mr. Morris Lessmore, que ao que tudo indica é um escritor, amante de livros e literatura, que é pego de surpresa por uma verdadeira calamidade, um furacão que leva tudo e todos pelo seu caminho, inclusive as próprias palavras das páginas escritas por ele. Digo que “Tudo indica” por que o filme não tem fala! não há diálogos expositivos, ou comunicação verbal de qualquer forma, o que para a maioria dos filmes por aí poderia ser uma pedra no sapato, ao meu ver, é onde aqui a animação mais acerta, por que em troca a gente pega o texto nas sutilezas. E que sutilezas, todo o trabalho feito para representar a potência do furacão de arrancar do Mr. morris tudo o que ele tinha não é pouco, ele não perde só a casa, os seus livros e toda a cidade que ele vivia, ele perde também a vontade e a paixão que ele tinha de viver, essa cena toda é uma verdadeira cena de pós guerra, lares destruídos, pessoas perambulando sem rumo, sem saber o que fazer das suas vidas depois que um desastre às atingiu, tudo isso ainda é mais acentuado pelo tratamento de cor que aos moldes de “O mágico de Oz ” nos faz passear entre o colorido de um mundo mágico que se valhe a pena viver, à realidade não tão gostosa, e aqui no caso, desesperadora.
Tudo isso vai mudar é claro quando nessa perambulação ele encontra uma mulher que voa pelos céus cheia de livros voadores, livros vivos digasse de passagem! e deixa para trás um livrinho que o vai levar até um verdadeiro santuário da literatura. Lá ele vai cuidar desses livros como se fossem seus próprios filhos, vai dar de comer, de vestir, arrumar e limpar, e pouco a pouco a gente consegue ver a “vida” voltando pro corpo do Mr. Morris, não a vida em si, mas o ânimo de viver, e é muito espertinho fazer esses paralelos com os livros vivos do filme.
Pra mim esse curta consegue trazer uma mensagem muito sutil mas poderosa sobre como mesmo quando tudo parece perdido na nossa vida, ainda há formas de reviver as coisas que nos faz enxergar sentido na nossa existência, mas mais do que isso, é que o nossa própria persistência em criar e compartilhar as coisas que nos dá ânimo de viver, podem fazer toda a diferença para um outro que esteja precisando de uma fagulha de cor no seu mundo cinza particular.
Luiz Oliveira
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A animação Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore é extremamente encantadora e prendeu minha atenção desde o início. Ela mescla elementos de fantasia, nostalgia e amor pela literatura de uma forma única.
A história segue Morris Lessmore, um homem que é literalmente levado pelo vento para um mundo mágico povoado por livros voadores. A animação consegue capturar a beleza e a magia dos livros de uma maneira que é tanto poética quantocomovente.
O que mais me surpreendeu neste curta-metragem é sua habilidade de transmitir uma gama tão ampla de emoções sem palavras. A animação é rica em detalhes e cores vibrantes, criando um ambiente que parece saído diretamente de um livro de contos de fadas. Os movimentos fluidos dos personagens e a expressividade de suas feições adicionam profundidade e autenticidade à história.
Além disso, a trilha sonora desempenha um papel fundamental na criação da atmosfera mágica de "Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore". A música complementa perfeitamente as imagens, evocando uma sensação de nostalgia e maravilha que ressoa com o público.
No entanto, apesar de sua beleza e encanto, "Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore" também aborda temas mais sombrios, como perda, solidão e o poder curativo da arte. Essa complexidade emocional adiciona uma camada extra à narrativa e torna a experiência do espectador ainda mais envolvente.
Concluindo, "Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore” é, na minha opinião, uma obra-prima da animação que cativa e emociona em igual medida. Com sua estética visual deslumbrante, narrativa envolvente e mensagem poderosa sobre o poder transformador da literatura e da arte, este curta-metragem encanta públicos de todas as idades.
Ana Luísa Antonioli
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A animação "Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore" é uma jornada visual e emocionalmente. O curta-metragem é capaz de nos transportar para um reino encantado. A utilização dos recursos sonoros, cores vibrantes, distintas realidades e fenômenos naturais também nos fazem embarcar junto com o imaginário da narrativa.
O que mais me impressionou foi a harmonia entre a música e a animação. A trilha sonora parece sincronizada com os movimentos dos personagens, criando uma dança entre som e imagem. Cada cena é uma explosão de cores e detalhes que prendem a atenção do espectador do início ao fim.
Este conto mágico vai muito além do entretenimento infantil. A história, embora simples em sua essência, é profundamente emotiva. Acompanhamos Morris Lessmore em sua jornada após uma devastadora tempestade que o deixa sem lar e sem pertences. É nos livros voadores que ele encontra refúgio e renovação, descobrindo neles sua maior fonte de alegria e conforto. Esta narrativa é uma menção à paixão pela leitura e ao poder transformador da imaginação.
No desfecho, a obra nos passa uma mensagem de extrema relevância: o poder da leitura e o repasse da arte de ler durante gerações passadas e futuras, permitindo que novas realidades, universos, possam ser imaginados através dos livros.
Julia Dias