The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (2011), dirigido por William Joyce e Brandon Oldenburg
Uma carta de amor aos livros e ao cinema de animação
Verônica Kelly Gomes Silva
Acredito que todo amante da literatura, em algum momento de sua trajetória, já se deparou ou vá se deparar com o famoso dizer do escritor argentino Jorge Luis Borges: “Sempre imaginei o Paraíso como uma espécie de biblioteca.” A frase pertence ao “Poema dos dons”, escrito em 1955 (publicado no Brasil na coletânea Poesia, de 2009), quando Borges, acometido pela cegueira, fora nomeado diretor da Biblioteca Nacional da Argentina.
O protagonista do singelo e encantador The Fantastic Flying Books of Mr Morris Lessmore, filme vencedor do Oscar de 2012 na categoria melhor curta-metragem de animação, concordaria com tal afirmativa. Apartado de seu pacato apartamento, onde, nos minutos iniciais do curta, tranquilamente se dedicava a leitura e a escrita, por uma forte ventania (o furacão Katrina, que devastou o sul dos Estados Unidos nos idos de 2005, ou o tornado que levou Dorothy e Totó a terra de Oz), Morris Lessmore vê a sua vida perder todas as cores. Em meio aos escombros e a páginas esvaziadas, o nosso protagonista encontrará nos livros, seus mais fiéis companheiros, uma forma de sobreviver as intempéries que podem surgir ao longo do caminho.
Enquanto vaga desconsolado por uma paisagem acinzentada, Morris Lessmore se depara com uma figura colorida e etérea, algo saído de um sonho (ou das páginas de uma boa história), que se locomove com a ajuda de livros voadores amarrados a marca-páginas de cetim. Essa figura à la Mary Poppins lhe presenteia com um companheiro de jornada, Humpty Dumpty (aqui representado em forma de flipbook – uma homenagem aos primórdios do cinema de animação), que guia o Sr. Lessmore ao seu Paraíso (ao Paraíso de todo leitor). Aos poucos, as cores retornam a vida do protagonista.
Na biblioteca, Morris mergulha em palavras, redescobre sentidos, traz a vida histórias antigas e novas. The Fantastic Flying Books of Mr Morris Lessmore nos mostra que se um leitor só encontra sentido nas histórias que lê, também as história só ganham vida e significado a partir do momento em que são lidas.
A sensação de desamparo, desespero, tristeza e perda é transmitida visualmente através do desaparecimento das cores do cenário e personagens. É nesse contexto que o protagonista, vagando sem rumo, encontra um elemento fantástico: uma mulher que atravessa o céu sustentada por livros flutuantes. É nesse momento que surge um personagem muito curioso e cativante, um livro contendo a ilustração de um ovo, vestido com um traje no estilo dos anos 60, como no filme Mary Poppins.
A dinâmica das páginas do livro passando com o vento, revelando o ovo que se comunica apenas pela através de gestos e expressões faciais, remete ao funcionamento do zootropo, um tipo de tambor circular com imagens fixas sequenciais em seu interior, que ao girar cria-se a ilusão da imagem em movimento. Esse flerte com o estilo 2D de ilustração acrescenta charme e singularidade à experiência visual.
Apesar disso, a animação apresenta limitações com enquadramentos e movimentos de câmera, em geral, pouco ousados e que parecem seguir uma lógica mais intuitiva do que propriamente expressiva. Essa falta de inventividade visual acaba reduzindo o impacto de cenas que poderiam ser mais marcantes. poucos aspectos técnicos ou visuais me impressionaram, pelo menos levando em conta os parâmetros atuais.
Outro ponto que fragiliza a obra é sua aparente tentativa de se alinhar ao estilo consagrado da Pixar. E isso vai além do estilo ou direção de arte, indo até a trilha sonora e narrativa. Em determinadas passagens, a busca por momentos engraçados, de comédia visual suaviza excessivamente o peso dramático, especialmente durante o furacão. Contudo, na biblioteca, quando o protagonista vive seu dia a dia com livros mágicos, voadores e expressivos, a comédia encaixa como uma luva e traz um charme ao curta.
A trilha sonora, por sua vez, se repete muito, sem muitas variações ou até mesmo instrumentos diversificados. Embora cumpra seu papel de acompanhar a narrativa, carece de maior variedade e complexidade, o que limita o potencial sensível da obra. Ou seja, ela é funcional, mas pouco marcante. Parece um pouco o que se escutaria em um comercial.
No fim das contas, The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore traz uma história bonita com uma mensagem interessantíssima mas que, em alguns momentos, parece jogar seguro demais. Ainda assim, é difícil não se deixar envolver pela sensibilidade do tema.
Camili Machado Eduardo
“The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore” é um curta-metragem de aproximadamente 15 minutos que conta a relação de Mr. Morris, o protagonista, com os livros. O curta tem como trama central a importância dos livros na vida das pessoas, mostrando como eles podem ajudar alguém a se salvar e a refazer sua vida, mesmo quando tudo parece perdido. A narrativa acompanha a trajetória de um rapaz solitário, Mr. Morris Lessmore, que vivia na companhia de seu livro, onde escrevia possivelmente sua história, suas memórias e sua trajetória de vida.
Tudo muda com a chegada de uma tempestade, um furacão que destrói com a vida de todos do enredo, incluindo o protagonista. No caso de Mr. Morris, ele perdeu o que tinha de mais valioso: seu livro. O curta intensifica ainda mais a história quando até mesmo as palavras do livro são carregadas pelo vento, o que parece que representa a dissipação completa do seu eu, sua essência que era carregada no livro que foi levado. Seu mundo virou preto e branco, tudo perdeu a graça para ele. Mr Morris vira um homem vazio, agora sem a sua história, que estava escrita no livro. Aqui, o filme explora a relação da literatura com a vida, afirmando que a literatura pode e é essencial na vida de quem consome livros.
Conforme o passar do tempo, na cronologia do curta, o protagonista encontra uma moça voando com vários livros, e de repente sua vida ganha cor novamente. Guiado pelos livros, ele chega até uma biblioteca, e é nela que ele refaz sua vida. Lá ele se encanta com os livros que encontra no local e passa a viver cuidando dos livros e ao mesmo tempo, sendo apoiado por eles, que devolvem a graça da sua vida.
Vivendo na biblioteca, Mr. Morris passa a ter uma função importante na vida da comunidade que o cerca; ele leva o mundo da literatura para as pessoas. Quando ele distribui livros para alguém, a pessoa, que estava cinza, passa a ficar colorida, sua vida ganha cor. Isso mostra o quanto a literatura pode abrir os caminhos de quem lê, fazendo com que novos horizontes sejam aprendidos e descobertos. Do ponto de vista conceitual e editorial, “The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore” é um curta muito bem pensado e elaborado, a história foi pensada para causar reflexão. Muito mais do que um curta sentimental, ele propõe que o telespectador se coloque no lugar do personagem e reflita sobre a própria vida e a relação dela com a literatura.
Tecnicamente, a obra é excelente. A paleta de cores usada foi muito bem pensada para que coincidisse com o conceito do enredo do curta: o preto e branco inicial evoca perda e tristeza, enquanto as cores vibrantes e quentes representam esperança e recomeço trazidas pela leitura. As animações e o stop-motion criam uma atmosfera onírica e de certa forma infantil, mas que remetem ao “fantástico”. A trilha sonora foi muito bem colocada, com sons melancólicos e ritmo que acompanha o enredo, faz com que o curta seja uma obra excelente para todos que puderem assistir.
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Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore e a vivacidade proveniente da leitura
Ana Luísa Niggemann Sauer
Vencedor do Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animação em 2012, Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore (The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore), escrito e dirigido por William Joyce e Brandon Oldenburg, explora a temática da importância da leitura e da capacidade de transformação dos livros no desenvolvimento do pensamento crítico e criativo dos indivíduos.
Como forma de enfatizar essa mensagem, a produção utiliza o recurso da colorização: após a ocorrência do tornado que destrói a cidade — inclusive arrancando as palavras escritas no livro do Sr. Morris —, as cenas seguintes ficam em preto e branco, adquirindo um tom melancólico e simbolizando justamente que a falta do conhecimento e das histórias que adquirimos e transmitimos por meio dos livros podem afetar negativamente nossa vida. Quando finalmente o protagonista avista uma mulher sobrevoando no céu suspensa por livros e encontra uma construção no meio da natureza repleta deles, como uma espécie de biblioteca, é que o curta volta a ter cor por completo.
Uma escolha interessante da produção é o fato de não haver diálogos, desse modo, toda comunicação dos personagens fica concentrada nas expressões e nas ações, com a trilha sonora reforçando e contribuindo com o andamento e as intenções da narrativa — ora mais dramática, ora mais tranquila —, possibilitando, assim, que o curta seja apreciado por um público diverso e abrangente, especialmente na questão da barreira linguística, que é quebrada e não limita o entendimento e a compreensão do curta.
Por fim, o Sr. Morris consegue cumprir com o desejo e a responsabilidade de devolver a cor ao mundo a partir da distribuição dos livros, compartilhando histórias, instigando a imaginação e semeando o conhecimento.
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Beatriz Vargas Leão
O que começou com uma adaptação do livro homônimo, desencadeou uma nominação e premiação no Oscar 2012, melhor animação curta-metragem. Escrito por William Joyce - escritor norte-americano, ilustrador e cineasta - dirigido por ele próprio e Brandon Oldenburg – ilustrador, designer, escultor e cineasta estadunidense – relata a história de Morris Lessmore, o qual encontra-se em uma situação árdua devido a um fenômeno da natureza que mudou sua perspectiva de vida, fenômeno que se assemelha com o longa-metragem “O Mágico de Oz”, filme infantil e musical de 1932. As cores vibrantes e frias do curta juntamente com suas metáforas tornam a experiência de assisti-lo muito mais agradável e cativante.
“The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore” é um ótimo exemplo de uma obra que não utiliza palavras para dizer aquilo que pretende, embora os livros em suas imagens possuam várias palavras, nenhuma delas é dita em voz alta. A animação inicia mostrando o livro que acompanha Mr. Morris, ao decorrer da película, abrindo, insinuando que possui a história do personagem em suas páginas (que ao longo do filme mostra-se correto, uma vez que o vemos utilizar as páginas para escrever os acontecimentos de sua vida). Em suas páginas é mostrado Morris (lendo esse mesmo livro), sua casa, vizinhos, pertences sendo puxado por um furacão repentino. Forte demais para ser escapado, tudo é levado junto a ele, inclusive as palavras de seu livro. A trama segue o protagonista redescobrindo as cores de sua vida, por meio de uma moça que mostra um vasto mundo envolto de livros que voam e com a convivência do protagonista com outros livros.
O filme desenvolve belamente a perspectiva de perda e tristeza profunda, utilizando principalmente das cores para expressar visualmente isso. Quando os cidadãos perdem tudo que é deles, as cores vão lentamente se perdendo, Mr. Morris luta ao máximo para não ser puxado juntamente ao resto, juntamente com o livro, que são os únicos que ainda possuem cores, mas fatidicamente reúnem-se a massa e perdem sua coloração. Uma metáfora a como os livros são capazes de devolver a nossa capacidade de viver, como a leitura pode reconstruir o que foi quebrado. Um exemplo disso é quando Mr. Morris ajuda um livro que estava rasgado, envelhecido e sujo, após “tratar” do paciente, ele percebe que não foi o suficiente para voltar a vida do objeto, a partir disso é incentivado a lê-lo, e somente após a leitura é que o livro consegue voltar. Assim como é para esse livro, é para todos os humanos, somente a leitura pode nos trazer de volta a vida e as nossas cores vibrantes.
De forma geral, o curta demonstra de uma forma didática a importância da leitura e quão prazerosa ela pode ser da forma mais didática possível, acessível a todos os públicos, tanto em entendimento quanto em acessibilidade, uma vez que é possível encontrá-lo na internet. Uma obra bem escrita e dirigida, embora breve, seduz o observador a experimentar o que lhe é proposto empiricamente.
O curta-metragem The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore dirigido por William Joyce e Brandon Oldenburg e produzido pelo estúdio Moonbot apresenta uma narrativa que transcende a simplicidade de sua estrutura para construir uma reflexão densa sobre memória, tempo, perda e reconstrução.
O filme se inicia com um homem segurando um livro, em um cenário marcado por cores vivas e intensas. De repente, uma tempestade surge e destrói tudo ao redor. Após esse momento, o ambiente passa a ser retratado em preto e branco, com casas destruídas e um cenário de desolação. Essa mudança de cores pode ser interpretada como uma representação do estado emocional do personagem: antes, havia vitalidade e equilíbrio; depois, restam sentimentos de perda, vazio e luto. Essa transição também permite uma reflexão mais ampla sobre a experiência humana, após momentos difíceis, é possível retornar ao estado anterior? Ou a vida passa a ser outra, marcada pelas experiências vividas?
Na sequência, o protagonista aparece com seu livro, mas as palavras começam a sair das páginas, deixando apenas um ponto de interrogação. Isso sugere uma perda de sentido ou de identidade. Ao caminhar, ele encontra livros voadores que carregam uma mulher colorida, em contraste com sua própria aparência apagada. Ele tenta fazer seu livro voar, mas não consegue, o que pode indicar que aquele livro já não possui mais significado para ele. A mulher, então, lhe entrega outro livro, que se torna fundamental para o desenvolvimento da narrativa. Enquanto ela permanece viva e colorida, o protagonista ainda está sem cor, o que reforça a ideia de que ele precisa reencontrar sentido.
Em seguida, o personagem é guiado por esse novo livro até uma biblioteca. Nesse espaço, os livros ganham vida e interagem com ele, criando um ambiente que mistura imaginação e subjetividade. Aos poucos, ele volta a adquirir cor e passa a se envolver com esse universo, o que sugere que os livros representam aspectos internos do sujeito, emoções, memórias e formas de se expressar. Um livro vazio, nesse sentido, pode indicar um indivíduo que perdeu sua capacidade de significar suas próprias experiências.
Em outra cena, o protagonista já está integrado a esse mundo: ele cuida dos livros, como se fossem seres vivos. Quando um livro mais antigo se deteriora, ele tenta “curá-lo”, mas percebe que não basta uma ação externa. A solução surge quando ele entende que é preciso “entrar” na história do livro, ou seja, vivenciar e compreender sua experiência. Isso reforça a ideia de que o conhecimento e as narrativas exigem envolvimento e sensibilidade para serem preservados.
Mais adiante, o personagem, agora completamente colorido, passa a distribuir livros para outras pessoas que estão em preto e branco. Esse gesto simboliza a transmissão de conhecimento e experiência, mostrando como o contato com histórias pode transformar indivíduos.
No final, já idoso, o protagonista escreve sua própria história no livro que carregava desde o início. Em seguida, ele parte, sendo levado pelos livros, em uma cena que remete à figura da mulher que antes o ajudou. Uma nova personagem, uma menina em preto e branco, encontra esse livro e, ao lê-lo, também ganha cor. O ciclo, portanto, se repete, indicando a continuidade das histórias e da transmissão de sentido entre gerações.
De modo geral, o curta utiliza elementos simbólicos bastante claros: as cores representam estados emocionais, os livros funcionam como extensões da subjetividade e a interação entre personagens evidencia a importância do outro no processo de reconstrução. Além disso, os livros também podem ser entendidos como formas de conhecimento, não apenas no sentido científico, mas como maneiras de interpretar e dar significado às experiências da vida.
Mais do que uma homenagem à literatura, o filme se apresenta como uma meditação sobre a permanência, sobre aquilo que, mesmo diante do tempo e da perda, continua a viver através das narrativas que construímos e compartilhamos.
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Clara Ortiz
Possuo certa resistência com obras que tentam ser profundas demais, aquelas que parecem feitas mais para impressionar do que para realmente comunicar algo. Por isso, assistir The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore foi uma surpresa boa. O curta é claramente simbólico, mas não é pretensioso. Ele não exige esforço intelectual exagerado nem te faz sentir “de fora” da experiência. A história acompanha Morris, que tem a vida atravessada por uma tempestade que desorganiza tudo, inclusive ele mesmo. A partir daí, o encontro com os livros aparece como uma forma de reconstrução. E isso é mostrado de um jeito muito direto, sem excessos. Mesmo sem diálogos, tudo funciona com muita clareza. A narrativa se apoia nas imagens e na música, mas sem ficar confusa ou abstrata demais. Eu não precisei interpretar demais nem buscar significados escondidos, a história simplesmente me conduziu. Visualmente, o contraste entre o mundo sem cor e o universo dos livros é bem marcante. Pode até ser um recurso óbvio, mas funciona. Assim como a própria mensagem do filme: ela é simples, talvez até previsível, mas ainda assim consegue tocar. Não tenta ser profunda de um jeito forçado. Por fim, ele se revela menos como um filme sobre livros e mais como um filme sobre relações: entre leitor e obra, entre memória e identidade, entre perda e reconstrução. Em um mundo marcado pela efemeridade, o curta reafirma a permanência das narrativas como forma de resistência, e talvez, também, de consolo. O que mais me chamou atenção foi isso: o filme não trata a arte como algo distante ou elitista. Pelo contrário, é acessível e sensível, e para mim é justamente por isso que funciona tão bem.
Fim!
Luis Felipe Baccaro
A animação The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore se destaca principalmente pela forma como constrói significado sem fazer o uso de diálogos, se apoiando quase totalmente na narrativa visual e sonora, o que se mostra suficiente, já que a mudança de cores e a trilha sonora ajudam a transmitir as emoções do personagem de forma muito clara.
Um dos pontos mais fortes da obra é o uso dos livros. No curta, eles aparecem como representações de memória, conhecimento e propósito. Isso dá à obra uma camada mais profunda, mesmo sendo uma história simples e relativamente rápida. Além disso, a transição do cenário sem cor para um ambiente mais colorido reforça bem a ideia de reconstrução após momentos difíceis, que no curta foi representado pela tempestade.
Por outro lado, o ritmo do curta pode ser considerado lento, o que pode afastar parte do público. Como a narrativa é mais contemplativa, ela exige mais atenção do espectador, o que nem sempre é algo que prende quem está acostumado com conteúdos mais chamativos e dinâmicos. Além disso, por ser bastante simbólico, algumas interpretações podem não ficar tão claras para todos.
No geral, o curta consegue transmitir uma mensagem sobre propósito e continuidade, utilizando recursos visuais de forma inteligente. Mesmo com um ritmo mais lento, ele consegue se destacar pela originalidade e pela forma sensível com que aborda o tema.
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Mel Prado
O que eu achei mais legal é que Morris só volta a ter cor quando entra em contato com os livros. Parece que a arte e as histórias são o que trazem a "cor" de volta pra gente. Em um mundo onde tanta gente passa por situações que tiram a vontade de viver, o filme mostra que a cultura e a imaginação não são só passatempos, mas um jeito de a gente se sentir humano de novo e conseguir enfrentar a realidade depois de um desastre.
No fim das contas, a mensagem que fica é que, mesmo que uma tragédia deixe a gente meio "apagado" por um tempo, o conhecimento e as histórias que a gente compartilha ajudam a reconstruir nosso mundo. É um ciclo: a gente lê pra se curar e escreve pra deixar algo para os próximos que virão.