Barbie (2023), dirigido por Greta Gerwig
















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Quando a diversão encontra a crítica social: a experiência de Barbie 

Davi Citatin

Barbie, dirigido por Greta Gerwig, é um filme que consegue equilibrar humor, crítica social e nostalgia de maneira surpreendentemente eficiente. Partindo de uma proposta que poderia facilmente soar limitada ou excessivamente dependente da marca, a obra encontra força justamente na forma como utiliza o universo da personagem para discutir temas como machismo, identidade e expectativas sociais, sem abrir mão do entretenimento. Mesmo para quem não se conecta tanto com pautas mais sociais, o filme ainda encontra espaço para divertir e manter o espectador envolvido.

Um dos maiores acertos do longa está em seu humor. Barbie entende muito bem o próprio tom e utiliza pequenos detalhes, reações exageradas e situações absurdas para criar momentos genuinamente engraçados. Grande parte da comédia surge justamente de elementos simples do universo da Barbie sendo reinterpretados de forma irônica ou autoconsciente, e o filme acerta bastante ao usar isso como motor narrativo. Essa leveza é o que faz a experiência permanecer divertida mesmo quando a obra decide abordar temas mais reflexivos.

Outro ponto extremamente forte é sua identidade visual. A direção de arte é um dos grandes destaques do filme, criando um mundo vibrante, estilizado e visualmente marcante, que consegue resgatar parte da sensação de encantamento ligada aos desenhos e brinquedos da infância. Existe um cuidado evidente em transformar a fantasia do universo Barbie em algo cinematograficamente interessante, sem perder a artificialidade característica que faz parte da proposta.

Nas atuações, o destaque vai para Margot Robbie e Ryan Gosling. Margot consegue transmitir muito bem a dualidade da Barbie entre ingenuidade e descoberta pessoal, sustentando a carga emocional do filme nos momentos mais sensíveis. Já Ryan acaba sendo um dos grandes responsáveis pela parte mais divertida da obra, especialmente a partir do segundo ato, quando o Ken ganha maior protagonismo e se torna uma das peças mais carismáticas da narrativa.

Apesar dos acertos, o filme também apresenta problemas que acabam pesando contra uma avaliação ainda mais alta. A subtrama envolvendo os executivos da Mattel é provavelmente o ponto mais fraco da narrativa, funcionando mais como interrupção do que como complemento da história principal. Em vários momentos, ela parece existir apenas para gerar situações cômicas que raramente alcançam o mesmo nível do restante do filme.

Outro elemento que prejudica a experiência é a personagem Sasha. Embora exista uma intenção clara de torná-la inicialmente desagradável para sustentar um arco de mudança, sua construção acaba sendo excessivamente irritante, e a transformação da personagem soa rápida e pouco convincente. Isso faz com que boa parte de suas cenas tenha mais efeito de desgaste do que de envolvimento emocional.

Além disso, o desfecho também deixa ressalvas. A última cena, em especial, parece destoar do tom do restante do filme e enfraquece um encerramento que poderia funcionar de maneira mais elegante. Para alguns espectadores, esse momento final pode soar mais como uma piada prolongada do que como uma conclusão realmente necessária.

No geral, Barbie é um filme divertido, visualmente criativo e muito competente ao equilibrar humor com crítica social. Mesmo com problemas narrativos e personagens secundários que nem sempre funcionam bem, a obra consegue entreter, provocar reflexão e resgatar uma certa magia ligada ao imaginário da personagem. E, mesmo para quem não gosta de musicais, como é o caso aqui, o filme ainda encontra maneiras de funcionar pela força do humor, das atuações e de sua personalidade estética.







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